145 ANOS DE ESTADÃO: TRINCHEIRAS DA LUTA PELA DEMOCRACIA – LUIZ FELIPE D’ÁVILA

Papel do ‘Estado’ é fundamental no País, que por vezes sucumbe ao canto da sereia do populismo

Poucos jornais do mundo têm o privilégio de celebrar 145 anos de existência. O Estado é o símbolo vivo de mais de um século de luta pelos valores que prezamos: a democracia, o Estado de Direito e a liberdade de expressão. Esses três pilares constituem os alicerces de uma sociedade livre, democrática e constitucional.

Estado nasceu em 1875 para defender a República constitucionalista, mas logo o jornal já estava criticando os primeiros governantes da República por terem abandonado a democracia constitucional e instituído um governo autoritário. A República constitucionalista, liberal e cívica nasceu apenas 5 anos após a Proclamação da República, quando Prudente de Moraes foi eleito presidente em 1894.Em 1932, o Brasil estava novamente nas mãos de um caudilho autoritário, Getúlio Vargas. Mais uma vez, o Estado estava na trincheira da luta pela revolução constitucionalista que exigia a proclamação de uma nova Constituição democrática. Getúlio deu ao País a Constituição, mas em 1937 rasgou-a e tornou-se ditador.

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Multidão se reúne em frente ao Pátio do Colégio para aclamar os líderes da Revolução Constitucionalista Foto: Arquivo Estadão

Em 1964, o jornal apoiou o golpe militar porque acreditava que o general Castello Branco era o único líder capaz de restituir a democracia e livrar o País do caudilhismo socialista. Quando a revolução enveredou para a perpetuação do autoritarismo, o Estado voltou-se para a trincheira da defesa da liberdade e da democracia. O jornal foi vítima de censura e do seu fechamento temporário durante os Anos de Chumbo.

Após a redemocratização do País em 1988, o Estado permaneceu fiel à sua tradição de luta em defesa da democracia constitucional e da liberdade individual. Trata-se de um papel fundamental numa Nação cujo destino continua a ser forjado pela força pendular que ora leva os brasileiros a eleger estadistas e a defender com afinco a democracia e a liberdade, e ora sucumbem ao canto da sereia do populismo que sempre representa uma séria ameaça ao Estado de Direito, à democracia e à liberdade.

Na era do populismo e das “fake news”, a liberdade de expressão é vital para o mundo livre e democrático. A crítica construtiva da imprensa deveria servir de norte para governantes acostumados com a adulação dos áulicos palacianos e a pressão política do corporativismo. Sem o jornalismo sério, a mentira se torna verdade, insufla o radicalismo e alimenta o cinismo e a descrença nas instituições democráticas. Nesse sentido, o Estado continuará a ser uma referência ímpar para os brasileiros que acreditam na virtude da liberdade e da democracia.

*CIENTISTA POLÍTICO E FUNDADOR DO CENTRO DE LIDERANÇA

145 ANOS DE ESTADÃO: TRINCHEIRAS DA LUTA PELA DEMOCRACIA – LUIZ FELIPE D’ÁVILA
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