A palavra do presidente, em 1978 e em 2020 – FOLHA DE SP – ROBERTO DIAS NA FOLHA

A palavra do presidente, em 1978 e em 2020

Entrevista histórica do regime militar mostra diálogo duro, porém civilizado

“A imprensa brasileira, quando não há notícias, tem uma tendência a interpretar as coisas com base em evidências que nem sempre correspondem à realidade.”

“Talvez essas análises estejam até corretas e meu governo venha a ser politicamente fraco e militarmente fraco. Mas eu quero pagar para ver.”

“Se eu não defini minha concepção de democracia, como é que ela pode estar clara? Eu não gostaria de dizer democracia relativa, mas o fato é que democracia plena não existe.”

“Cada poder tem independência na sua seara. Quando um se intromete na seara do outro está errado. Por exemplo, o orçamento. Quando o Legislativo dispunha de plena liberdade para mexer no orçamento, fizemos o levantamento de um número enorme de instituições fantasmas sustentadas pelo Legislativo.”

“Não faço distinção entre civis e militares. Os dois devem ser tratados igualmente. Os militares, por exemplo, devem se comportar de acordo com os regulamentos militares.”

“E no império, o imperador não nomeava todo mundo, e tudo não funcionou bem por tanto tempo?”

“A qualidade do ensino caiu. Chegamos a ter bom nível de ensino superior, professores importados inclusive, mas com súbito aumento de vagas não dava para manter o nível. (…) Sou a favor das manifestações estudantis, desde que não interfiram com a vida da comunidade.”

“O Estado precisa defender-se sim, contra os extremistas que desejam destruí-lo para implantar ideias que o totalitarismo consagra.”

Parece Jair Bolsonaro, mas é João Figueiredo, em 1978. Já apontado como novo presidente, o general deu entrevista histórica à Folha, agora republicada no início de celebração do centenário do jornal. O texto é famoso tanto pelas declarações fiéis sem registro de gravador quanto pelo diálogo duro porém civilizado entre jornalistas e entrevistado mesmo na ditadura —muito diferente do que ocorre hoje no Alvorada.

Reprodução da capa da Folha com foto de Figueiredo e a chamada "Exclusivo: Fala Figueiredo"
Último presidente general da Ditadura concedeu entrevista exclusiva à Folha – Reprodução

Roberto Dias

Secretário de Redação da Folha.

MEU COMENTÁRIO

Não sejamos tão ingênuos.

O que foi publicado pela Folha em 1978 é a versão boazinha do João Figueiredo, um dos lados de sua personalidade e formação.

A própria Folha, como um dos jornais censurados no periodo militar, comprovou isso ao longo de nossa história.

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