A popularidade quântica (por Juliano Corbellini) – BLOG DO NOBLAT EM VEJA.COM

A popularidade quântica (por Juliano Corbellini)

Como o Bolsonaro mantem aprovação de 33% à sua atuação diante da pandemia?

Por Juliano Corbellini 

Eleitores se concentram em frente ao condomínio onde fica a casa de Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca – 28/10/2018 Caio Guatelli/VEJA

Talvez você faça parte dos 76% de brasileiros que defendem o isolamento social (só 18% defendem o seu fim) e não entendem como o presidente Bolsonaro mantem uma aprovação de 33% à sua atuação diante da pandemia, segundo a ultima pesquisa DataFolha, apesar de sua insistência em criar conflitos e crises políticas quase diárias em meio a grave crise da COVID. Esse artigo se propõe a entender esse paradoxo.

Uma hipótese para isso vem do pensamento italiano, que demonstra que assistimos o fim da “política newtoniana” e o início da “politica quântica”. Essa é a tese de Giuliano da Empoli, em “Os Engenheiros do Caos”, que discorre sobre a substituição de um ambiente político onde soluções alternativas eram debatidas de modo mais ou menos racional e linear diante de uma realidade objetiva, para um mundo em que a realidade objetiva deixa de existir. O mundo que muitos vêem simplesmente não é visível por outros, e a possibilidade de um entendimento coletivo sobre o mesmo fato é cada vez mais difícil. É o “mundo da bolha”.

A lógica presidencial parece ser essa. Ao invés de propor teses com pretensão de universalidade, manter seus eleitores fechados e hiperaquecidos em sua própria bolha, vivendo num mundo paralelo. Nessa aposta, as palavras valem não pela razoabilidade, mas por sua força como vetor de mobilização de sua base. É assim que coisas sem sentido, como o conluio entre Lula, Dória e a China, acabam adquirindo sentido.

A natureza da política não-tradicional opera por uma lógica mais caótica e menos linear, por isso não é recomendável usar categorias tradicionais para analisar a popularidade do governo Bolsonaro. Sua natureza não permite ter a maioria da opinião pública, mas facilita manter seu 1/3 hiperaquecido e fechado na bolha. Ter “a maior, mais sólida e mais ativa minoria”. E é em razão disso que Bolsonaro não está “derretendo”, apesar de todos os seus aparentes despropósitos.

Polemizar com Bolsonaro é fácil. O difícil é subverter essa lógica que paralisa a disputa política no Brasil. E isso só poderá ser feito propondo vetores de mobilização alternativos, mais quentes, mais humanos, que tenham capacidade de juntar pedaços numa oposição fragmentada politicamente e unir a maioria da opinião pública que espera razoabilidade em momentos de crise.

*Doutor em ciência política, consultor de marketing eleitoral. Co-autor de “A eleição disruptiva: por que Bolsonaro venceu” e autor de “Lições de uma campanha eleitoral: a derrota do grupo Sarney” 

MEU COMENTÁRIO:

O texto supra resultou muito complicado para explicar uma questão muito simples, que tento resumir abaixo:

Os boçais costumam votar num boçal, por que boçais geralmente falam a mesma língua, e por isso, se entendem.

Simples assim.

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