A QUE TEMPERATURA FERVE O DOUTOR PAULO GUEDES? – JOSIAS DE SOUZA, BLOG NO UOL

Jair Bolsonaro deixou em polvorosa o Ministério da Economia ao submeter a Petrobras a um processo de pazuellização. Chama-se Joaquim Silva e Luna o novo Pazuello. Teme-se que o capitão queira reproduzir na estatal o modelo de gestão do Ministério da Saúde, baseado na metodologia do “um manda, o outro obedece.”

O general Silva e Luna assume o comando da Petrobras e da política de preços dos combustíveis em meio a uma coreografia hemorrágica. A companhia perdeu R$ 28 bilhões em valor de mercado apenas nesta sexta-feira. Continuará sangrando no pregão de segunda-feira.

Metade da equipe de Paulo Guedes está nervosa porque o ministro diz que mantém o presidente da República sob controle, mas sabe que ele está mentindo e pode deixar o governo a qualquer momento.

A outra metade do time da Economia está nervosa porque Paulo Guedes diz que Bolsonaro está sob controle, e avalia que o ministro acredita mesmo na lorota, descartando a hipótese de bater em retirada de Brasília.

Paulo Guedes está nervoso porque não sabe se diz que dispõe de um ‘Plano B’ que ainda não fez, se faz o ‘Plano B’ e não diz, ou se chama o caminhão de mudança.

A Petrobras pende do organograma do Ministério de Minas e Energia, chefiado pelo almirante Bento Albuquerque. Na prática, porém, era Guedes quem dava as cartas. Afastado do comando da estatal, Roberto Castello Branco é amigo de Guedes.

As contas nacionais, como se sabe, estão em desalinho. Se fosse prestigiado por Bolsonaro, Guedes teria enorme dificuldade para colocar a casa em ordem. Mantido pelo presidente num jogo de gato e rato, pode perder as estribeiras.

De Bolsonaro não se espera senão um populismo reeleitoral do tipo que subordina a saúde financeira da maior estatal do país aos humores dos caminhoneiros. A grande dúvida nacional é a seguinte: a que temperatura ferve o doutor Paulo Guedes?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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