Agora ou nunca: o Campeonato Brasileiro precisa de visão empresarial – PAULO VINICIUS COELHO, FOLHA

Agora ou nunca: o Campeonato Brasileiro precisa de visão empresarial

O presidente de LaLiga, Javier Tebas, saiu da Espanha e veio a São Paulo na terça-feira (15), exclusivamente para defender a criação da Liga do Brasil. A visita indica o interesse internacional pelo ex-país do futebol. Não veio trazer espelhinhos e trocá-los com nossos dirigentes. Veio fazer negócios.

Os indícios de que a aprovação da SAF, no Congresso, e a possibilidade de mudança do governo federal, atraem olhares europeus já foi tratada aqui há um mês. Tebas quer ser parceiro da futura Liga do Brasil, porque percebe o potencial desse mercado: “Pode ser o quinto maior campeonato do planeta”, diz.

Em outras palavras, se nascer, estará em quinto lugar desde o berço esplêndido. Depois, o trabalho pode impulsionar a subida.

Na terça, a XP Investimentos e Alvarez & Marsal apresentaram proposta para estruturação da nova liga.

Tratam como a melhor chance na licitação, mas quem tem de definir isso são os clubes. Há a concorrência da Codajas Sports Kapital e da LiveMode.

Os 40 clubes das Séries A e B vão fechar com quem quiserem. O movimento de Tebas, saindo de Madri para a reunião em São Paulo, indica que é agora ou nunca.

Enquanto a CBF discute as picuinhas do poder, aumenta mesadas para presidentes de federações e se distrai com a política, em vez de cuidar de ganhar a Copa do Mundo, o futebol se preocupa com a concorrência em todo o mundo. A Premier League entende que o público jovem se interessa por NBA, NFL e eSports.

O Brasileirão concorre com tudo isso e, também, com os jogos dos campeonatos Inglês, Espanhol, Alemão, Italiano e Francês. Mesmo sem sair das cavernas, o Brasil mantém o interesse de seu público.

No último fim de semana de estaduais, o Flamengo levou 61 mil espectadores ao Maracanã contra o Bangu, o Corinthians jogou para 39 mil pagantes contra a Ponte Preta e o clássico Palmeiras x Santos teve 38 mil espectadores no Allianz Parque.

O presidente de LaLiga vem atrás desse potencial.

Expôs o projeto e deu o caminho: “Incomodado e satisfeito.” Com esta frase, evidenciou que nenhuma decisão atenderá a todos os desejos e que cada clube deve se comportar como um galho de uma grande árvore.

Em “Panis et Circenses”, os Mutantes cantavam que as folhas sabem procurar pelo sol. As copas se abrem, para que todas recebam luz e façam a fotossíntese. Uma árvore saudável compõe uma floresta. Uma fruta podre compromete a cesta.

Todos os times da liga precisam ser fortes, esportiva e economicamente.

O Brasil poderia ter criado sua liga em 1987, cinco anos antes da Premier League, na Inglaterra, se não houvesse tantos interesses particulares. Os ingleses brigaram por décadas e os cinco grandes tiveram a sabedoria de romper com o atraso em 1991. Na época, o Everton fazia parte do seleto grupo de gigantes. Hoje, briga contra o descenso.

A Inglaterra tem a mais justa divisão do dinheiro, um terço por exibição, um terço por desempenho, um terço igualitário. Antes da Premier League, os ingleses vendiam jogadores para o Campeonato Francês. Depois, construíram o melhor campeonato nacional do planeta e atraíram investidores – inclusive os pilantras.

Tebas corrigiu, em parte, a distorção de o Campeonato Espanhol ser vencido apenas por Real Madrid e Barcelona. O Atlético ganhou dois dos últimos oito troféus.

Não precisa ser com Tebas. O Brasileiro precisa de visão empresarial. É agora ou nunca. Ou o futebol brasileiro terá com a Europa a mesma relação do basquete nacional com a NBA.

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