Alcolumbre envia resposta desqualificada ao STF – JOSIAS DE SOUZA, UOL

A resposta enviada ao Supremo Tribunal Federal por Davi Alcolumbre sobre a demora no agendamento da sabatina de André Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça do Senado é mentirosa, desonesta e inútil.

O senador soou inverídico ao alegar que a demora não é anormal. O ex-advogado-geral da União André Mendonça foi indicado por Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo em 13 de julho. O engavetamento da sabatina está prestes a fazer aniversário de três meses. Não há precedente de tamanha protelação. Daí a anormalidade. https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

Alcolumbre foi desonesto ao tentar esconder seus interesses atrás da tese segundo a qual a “não-deliberação” é uma manifestação política legítima quando “não há consenso” em relação ao nome escolhido pelo presidente ou certeza quanto à “sua aprovação.” Conversa mole.

A protelação poderia ser encarada como algo politicamente legítimo se fosse resultado de uma sublevação do Senado. Como reação individual de um senador que teve seus interesses contrariados pelo Planalto, não passa de gesto de motivação subalterna.

A resposta do presidente da CCJ é tisnada pela inutilidade porque Alcolumbre terá de fazer por pressão o que não fez por opção. É improvável que o Supremo ordene a realização da sabatina de André Mendonça. Seria uma intromissão em assunto interno do Legislativo. Mas Alcolumbre é pressionado pelos próprios colegas, incomodados com a submissão do Senado às suas demandas particulares.

Para vestir a toga, o escolhido de Bolsonaro precisa dos votos de 41 senadores. Pelas contas do Planalto, essa marca será ultrapassada. Confirmando-se o prognóstico, o capitão terá dois aliados no Supremo.

Depois de Nunes Marques, escolhido mais pelas doses de tubaína que tomou no Alvorado do que pela qualidade do currículo, chegará à Corte André Mendonça, o terrivelmente evangélico.

Num encontro com deputados ruralistas, o presidente disse que, reeleito em 2022, terá a oportunidade de indicar mais dois aliados para o Supremo no início do segundo mandato.

Serão “quatro garantidos lá dentro”, disse Bolsonaro. “Além de outros que já votam com as pautas que tem que ser votadas do nosso lado.” Quer dizer: Bolsonaro enxerga o Supremo como um território prestes a ser dominado

Alcolumbre envia resposta desqualificada ao STF – JOSIAS DE SOUZA, UOL
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