Alguém precisa defender Deus na crise do MEC – JOSIAS DE SOUZA, UOL

  • 23/03/2022 09h21

Todo mundo ficou desobrigado de fazer sentido no Brasil depois que Bolsonaro, discursando na cidade de Porto Nacional, no Tocantins, declarou que executa na Presidência uma “missão dada por Deus”, vangloriando-se de oferecer ao país “três anos e três meses sem corrupção no governo federal.”

As palavras do presidente soaram no mesmo dia em que a voz do seu ministro da Educação, Milton Ribeiro, surgiu numa gravação em que ele atribui a “um pedido especial” de Bolsonaro a engrenagem que condiciona a liberação de verbas no MEC à intermediação de pastores.

O governo sem corrupção é mera ficção. Acusado de conluio com madeireiros criminosos, o ministro do Meio Ambiente fugiu pela porta dos fundos.

Informado sobre malfeitos na compra de vacinas, o próprio Bolsonaro se fingiu de morto. Prevaricação? Não, não. Absolutamente, concluiu Aras. Crimes esquadrinhados pela CPI da Covid estão sendo enterrados vivos.

Como se tudo isso fosse pouco, surge agora o lobby da Bíblia no MEC. Não fosse pelo vale-tudo semântico, o ministro cairia e o procurador-geral começaria a procurar.

Até o pastor Silas Malafaia já notou que não basta fazer pose. Para fazer sentido, é preciso provar que está limpinho.

Alguém precisa sair em defesa de Deus no escândalo da Educação. Como se sabe, o Todo-Poderoso existe. Mas se Bolsonaro continuar falando em Seu nome, muita gente pode achar que Ele não merece existir.

Alguém precisa defender Deus na crise do MEC – JOSIAS DE SOUZA, UOL
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