AMOR DE BOLSONARO POR TRUMP EVOLUI PARA PAIXÃO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG NO UOL

Normalmente, a paixão vem antes do amor. Na relação de Jair Bolsonaro com Donald Trump acontece o oposto. O sentimento do presidente brasileiro pelo colega americano evolui do amor declarado para uma paixão incontida.

Numa definição do poeta argentino Jorge Luis Borges, “apaixonar-se é criar uma religião que tem um deus falível.” Se a disputa eleitoral americana ensina alguma coisa ao governo brasileiro é que o personalismo que marca a relação de Bolsonaro com o deus da Casa Branca precisa evoluir rapidamente para um relacionamento entre Estados.

A Constituição prevê, no seu artigo 4º, que o Brasil rege-se nas relações internacionais pelos princípios da autodeterminação dos povos e da não-intervenção. Enquanto manifesta sua paixão por Trump, Bolsonaro apenas desmerece a própria inteligência, pois deixa de levar em conta que países têm interesses, não sentimentos.

Quando afirma que prefere Donald Trump a Joe Biden, o presidente flerta com o desrespeito à Constituição. Mas isso é atenuado pela irrelevância do Brasil e do seu presidente no processo eleitoral dos Estados Unidos “Quem somos nós para interferir?”, indaga o próprio inquilino do Planalto.

Entretanto, Bolsonaro cruzará uma fronteira tênue se, eventualmente, declarar apoio à decisão de Trump de questionar na Justiça o resultado das urnas americanas. Torça-se para que essa linha não seja cruzada.

Deve-se torcer também para que Bolsonaro não resolva mimetizar Trump em 2022, questionando as urnas brasileiras. O risco existe. O personagem já acusou de fraudulentas até as urnas que o levaram ao Planalto.

No ano passado, em visita aos Estados Unidos, Bolsonaro disse que, não fosse pela “fraude”, teria prevalecido no primeiro turno da sucessão de 2018. Prometeu que divulgaria as provas. O ex-porta-voz Otávio do Rêgo Barros definiria a promessa como “nota de sete reais”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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