Ao vivo, o suicídio político de um presidente e do seu governo – RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

A intervenção dos Bolsonaro no aparelho do Estado

Por Ricardo Noblat – 26 abr 2020, 08h00

 reprodução/Reprodução

Então quer dizer que o garoto Carlos Bolsonaro está envolvido com a rede de produção de notícias falsas que atacam a reputação de supostos adversários do seu pai, sejam eles internautas, políticos de variados matizes e ministros de tribunais superiores… Sei.

E que o garoto, citado como chefe do “gabinete do ódio” com sede no Palácio do Planalto, tem ligações com os extremistas de direita que financiaram e promoveram recentes manifestações de rua a favor da volta da ditadura… Sei. O pai compareceu a uma delas.

Então foi o garoto, com o aval dos irmãos, quem convenceu o pai a nomear Alexandre Ramagem, delegado da Polícia Federal, diretor da Agência Brasileira de Inteligência, ninho estatal da espionagem, sucessora do Serviço Nacional de Inteligência… Não diga!

E menos de um ano depois, foi outra vez do garoto a ideia acolhida pelo pai de nomear Ramagem diretor-geral da Polícia Federal, o que levou o então ministro Sérgio Moro, da Justiça, a demitir-se e a sair do governo atirando… Garoto poderoso!

Ramagem caiu nas graças dos irmãos Bolsonaro quando assumiu a segurança pessoal do pai deles assim que o então candidato a presidente da República foi esfaqueado por um maluco, de nome Adélio Bispo, durante uma caminhada em Juiz de Fora.

De tão amigo que ficou de Carlos, Ramagem foi fotografado ao seu lado na festa do réveillon passado. À esquerda de Carlos aparece Léo Índio, seu primeiro amigo, encarregado no início do governo de checar o passado político de pretendentes a cargos públicos.

Então é para proteger Carlos, o mais instável dos seus filhos, que o presidente Jair Messias Bolsonaro quer controlar a Polícia Federal por meio de Ramagem, que o tem mantido a par de tudo o que os arapongas oficiais apuram a respeito do que se passa no país?

A nova operação da família Bolsonaro dará certo? Nunca na história do país um clã presidencial imiscuiu-se tanto no aparelho do Estado com o propósito de influir na definição de políticas públicas. Nem mesmo na época do presidente Getúlio Vargas.

Para não ser deposto, Vargas matou-se com um tiro disparado na solidão do seu quarto no Palácio do Catete, no Rio. O suicídio político de Bolsonaro e do seu governo está sendo transmitido ao vivo pela internet e por todos os meios de comunicação do país.

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