As duas faces do poder saem a passeio RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

Uma, transgressora. A outra, conforme a lei

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão se dirigem à cerimônia de posse dos presidentes de bancos públicos no Palácio do Planalto, em Brasília – 07/01/2019 Alan Santos/PR

Cada um ao seu modo, o presidente Jair Messias Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Martins Mourão aproveitaram o sábado de sol intenso em Brasília e saíram a passear. O general, de máscara, de mãos dadas com sua mulher, também de máscara como manda a lei assinada pelo governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. O capitão, sem máscara, embora levasse uma consigo.

Bolsonaro saiu do Palácio do Alvorada de helicóptero para uma visita surpresa a cidades goianas do entorno de Brasília, a mais distante a menos de 250 quilômetros. Mourão foi de carro fazer pequenas compras em um shopping do Lago Norte, a 20 quilômetros do Palácio do Jaburu, onde mora. O aparato de segurança do vice era pequeno e discreto. O do presidente, grande e ostensivo.

Mourão foi reconhecido pelas poucas pessoas que havia no shopping, deu autógrafos e posou para fotos. Ele e a mulher compraram roupas, produtos de beleza (para ela), chocolates e entraram numa livraria. Onde esteve, Bolsonaro provocou aglomerações, o que por lei é proibido. Na cidade de Abadiânia, tomou o café da manhã em uma lanchonete, apertou mãos de devotos e abraçou uma criança.

Desta vez não foi acompanhado por nenhum dos filhos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado federal Carlos Bolsonaro disse inexistir de sua parte “ameaça, intenção ou desejo” de que se instale no país uma “situação de instabilidade política”. Ele teme ser processado por ter declarado que não era mais uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’ Bolsonaro tomaria uma ‘medida energética’.

Na sexta-feira, Bolsonaro, o pai, baixara o tom do seu discurso em relação ao Supremo Tribunal Federal. Negou que haja uma crise entre os poderes Executivo e Judiciário. Ontem, antes de sair para passear, o presidente escreveu no Facebook que “tudo aponta para uma crise” ao comentar decisões recentes da justiça que tiveram como alvos seus filhos e aliados – entre eles, parlamentares e empresários.

O sábado, portanto, foi mais um dia normal na vida do país que depois de ultrapassar a Espanha na sexta-feira, ultrapassou também a França em número de mortes por coronavírus. Agora é o quarto país no mundo com maior quantidade de mortos (28.834), quase mil nas últimas 24 horas. Só perde por enquanto para os Estados Unidos (103 mil), Reino Unido (38 mil) e Itália (33 mil).

O pico da doença já passou no Reino Unido e na Itália. Aqui, ele é esperado em meados de julho. O Brasil é forte candidato à vice-liderança no número de mortes provocado pela pandemia. Ninguém segura este país!

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