Assessor de Bolsonaro deveria ter sido preso por racismo, diz senador – BERNARDO MELLO FRANCO, GLOBO

FILIPE G. MARTINS

Assessor de Bolsonaro deveria ter sido preso por racismo, diz senador

Por Bernardo Mello Franco25/03/2021 • 11:14Filipe G. Martins, assessor internacional de Bolsonaro, faz gesto durante sessão do SenadoFilipe G. Martins, assessor internacional de Bolsonaro, faz gesto durante sessão do Senado | Reprodução

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), mudou de opinião sobre o gesto de Filipe G. Martins, assessor internacional de Jair Bolsonaro.

Na sessão de ontem, o senador se indignou e pediu que o olavista fosse expulso da Casa. Pensou que ele tivesse feito um gesto obsceno contra o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Depois é que fiquei sabendo que era um gesto ligado ao supremacismo branco. Fiquei com mais nojo ainda. Ele deveria ter sido preso na hora — diz Randolfe.

A Constituição afirma que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Estava caracterizado o flagrante para a prisão — acrescenta o senador.

Nas redes sociais, Martins negou ter feito um gesto racista. “Mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno”, escreveu.

A justificativa não convenceu o líder da oposição.

Para mim, não resta nenhuma dúvida. Alguns dizem que ele fez isso para desviar a atenção das 300 mil mortes pelo coronavírus. Mas não podemos mais tolerar esse tipo de provocação no Brasil —  diz Randolfe.

Ontem Pacheco acionou a Polícia Legislativa e determinou a abertura de uma investigação interna sobre o gesto de Martins. Ele é um dos principais discípulos do ideólogo Olavo de Carvalho no governo Bolsonaro.

Em 2019, o assessor publicou nas redes sociais o poema que abre o manifesto de Brenton Tarrant, supremacista que matou 50 pessoas a tiros numa mesquita da Nova Zelândia. Na ocasião, ele disse que ligá-lo ao extremista era “sinal de ignorância e de grande incultura”.

Assessor de Bolsonaro deveria ter sido preso por racismo, diz senador – BERNARDO MELLO FRANCO, GLOBO
Rolar para o topo