BIDEN DEIXA BOLSONARO OPACO COMO XI JINPING – JOSIAS DE SOUZA,BLOG NO UOL


Jair Bolsonaro frequenta o noticiário de mãos dadas, por assim dizer, com o presidente chinês Xi Jinping. Por razões distintas, ambos hesitam em cumprimentar Joe Biden pela vitória na sucessão presidencial dos Estados Unidos. Ironicamente, a irresolução do mandachuva do Brasil é mais opaca do que a do mandarim da China.

O governo chinês pelo menos já disse meia dúzia de palavras sobre o processo eleitoral americano. Coube ao porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, divulgar a posição chinesa.

“Notamos que o senhor Biden declarou vitória na eleição”, disse Wang, tropeçando no óbvio. “Entendemos que o resultado da eleição presidencial será determinado pelas leis e procedimentos dos Estados Unidos. A declaração da China seguirá as práticas internacionais.” Ah, bom!

No Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão, auto-convertido em tradutor das excentricidades de Bolsonaro, declarou: “É óbvio que o presidente, na hora certa, vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito.” O problema é que, nessa matéria, quem escolhe o momento exato economiza muito tempo. E Bolsonaro, claramente, mata o tempo, desperdiça sua hora.

Bolsonaro negligencia a vitória de Biden por lealdade a Trump. Xi Jinping faz o mesmo em respeito aos interesses do país que comanda. A China vive às turras com Trump. Mas não espera que o novo o inquilino da Casa Branca lhe sirva refresco. Daí a tergiversação.

Se o Brasil tivesse um chanceler, Bolsonaro já teria se rendido à lógica. Primeiro, o ministro Ernesto Araújo divulgaria os cumprimentos do chefe a Biden. Depois, se equiparia para extrair da briga entre Estados Unidos e China todas as vantagens que o Brasil pudesse auferir. Mas o ministro Ernesto Araújo, como Bolsonaro, é movido pela irracionalidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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