Bochechas em fogo – RUY CASTRO, FOLHA

Bochechas em fogo
A qual de suas caras Bolsonaro se referia quando defendeu seu ministro?

E agora, Bolsonaro? Como está a temperatura nas bochechas? Seu ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, aquele por quem Vossa Excelência “botaria a cara no fogo”, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta (22), na sequência de uma investigação por crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência —por sinal, um menu de acusações que caberiam perfeitamente contra Vossa Excia. Ao lado de Ribeiro no camburão, seguiu o “pastor” Gilmar Santos, aquele a cujos pleitos Vossa Excia. pediu ao ministro especial atenção —leia-se facilitando-lhe as rapinas, de Gilmar e comparsas, em ouro ou espécie, aos cofres públicos. Enquanto escrevo, o tintureiro está em busca desses comparsas.

A ação da PF cria dois problemas a V. Excia. O primeiro é a constatação, recebida com alívio pela nação, de que o aparelho policial não foi totalmente corrompido por V. Excia.. Pelo visto, parte dele ainda sustenta o status de órgão de Estado, ereto e independente, infenso ao uso político a que V. Excia. o reduziu, trocando funcionários honestos por ratos, digo gente de sua confiança. Espera-se que outros órgãos de investigação também mantenham pessoas que se recusam a acoelhar-se aos interesses de V. Excia.

O outro problema é que ficou difícil a V. Excia. repetir a piada de que não há corrupção em seu governo. Até agora, com os inquéritos abafados, mamatas secretas e crimes que ainda não vieram a público, era fácil aos papalvos acreditar em V. Excia. Mas toda piada tem data de vencimento. Alguém ainda conta aquela do papagaio?

Naturalmente, não se sabe a qual de suas caras V. Excia. se referia quando disse que a botaria no fogo por Milton Ribeiro. Talvez a mesma que estava usando ao receber a notícia e dizer que, se a PF o prendera, era “porque tinha um motivo”.

É verdade! Só resta a Milton Ribeiro explicar esse motivo.

Bochechas em fogo – RUY CASTRO, FOLHA
Rolar para o topo