Bolsonaro aposta em estratégia de intimidação – BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO, RJ

Bolsonaro, em live, fala de acusação de porteiro no caso Marielle

Bolsonaro, em live, fala de acusação de porteiro no caso Marielle | AFP

Jair Bolsonaro foi eleito presidente, mas quer governar como ditador. Não aceita as regras da democracia, que estabelecem limites ao exercício do poder.

Ao completar um ano no Planalto, o capitão elevou o tom dos ataques à imprensa. Agora busca insuflar seus seguidores contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Na semana passada, o general Augusto Heleno disse que era preciso “convocar o povo às ruas”. Foi a senha para os grupos de extrema direita organizarem novas marchas a favor do governo.

Bolsonaro gostou da ideia. Em pleno feriado, compartilhou dois vídeos que incitam as massas a mostrar “a força da família brasileira” e protestar contra os “inimigos do Brasil”.

Além de divulgar os filmetes que o definem como um líder “cristão”, “patriota” e “incorruptível”, o presidente sugeriu um mote para o ato chapa-branca. “O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”, escreveu, como se ele não fosse um político profissional que já pendurou três filhos no mesmo galho.

Não é a primeira vez que Bolsonaro usa o peso do cargo para atacar abertamente as instituições. Em maio de 2019, ele endossou um texto que o apresentava como refém de “conchavos”. Cinco meses depois, divulgou um vídeo que retratava o Supremo, os partidos políticos e os meios de comunicação como hienas ávidas para devorá-lo.

No carnaval de 2020, o capitão voltou a vestir a fantasia de outsider perseguido pelo sistema. A diferença é que agora ele parece mais animado a apostar suas fichas numa escalada autoritária.

Viciado em confrontos, Bolsonaro implodiu pontes com o Congresso, rompeu com o próprio partido e comprou briga com a maioria dos governadores. Agora tenta acuar setores que começam a articular uma frente para conter seus desvarios.

A militarização do Planalto e o uso de milícias virtuais para linchar jornalistas obedecem a essa estratégia de intimidação. A convocação de manifestações de teor antidemocrático faz parte do mesmo jogo.

Bolsonaro aposta em estratégia de intimidação – BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO, RJ
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