BOLSONARO DEVERIA NOMEAR WEINTRAUB PARA A SAÚDE – JOSIAS DE SOUZA, BLOG NO UOL

Às vésperas de completar um mês no cargo de ministro da Saúde, Nelson Teich executa o mesmo balé do sai-não-sai que marcou o epílogo do antecessor Henrique Mandetta no governo. Teich e Mandetta têm algo mais em comum: ambos são médicos. Lidaram com a pandemia tocando o violino da ciência para um chefe que prefere bater bumbo em aglomerações.

Em privado, Teich se diz arrependido de ter virado ministro. Na verdade, não chegou a ser ministro. Desde a posse, o doutor frequenta o palco, meio sem jeito, como mais uma encenação que Bolsonaro escolheu para camuflar sua aversão ao iluminismo. A vocação de Teich para ex-ministro revelou-se desde a posse.

Na cerimônia de transmissão de cargo, declarou que tinha em relação a Bolsonaro um “alinhamento completo”. Desmentiu-se no mesmo discurso ao esclarecer que a gestão científica da crise do coronavírus, adotada a redor do mundo, não sofreria um “cavalo de pau” na sua hipotética gestão.

Teich se autoconverteu em marionete ao abdicar da inalienável tarefa de compor a própria equipe. Aceitou como número dois da pasta Eduardo Pazuello, um general escolhido por Bolsonaro para monitorá-lo. Ironicamente, o doutor é empurrado em direção à porta de saída quando se dispunha a levar à mesa um plano de ação.

Apologistas de Bolsonaro já defendem a substituição de Teich pelo deputado Osmar Terra, o médico que mais se aproxima da tese presidencial segundo a qual o brasileiro precisa enfrentar o vírus “como homem, não como moleque”. A despeito da unidade de pensamento, a escolha de Terra seria um equívoco. Há uma opção melhor na Esplanada: Abram Weintraub, atual ministro da Educação.

Bolsonaro não precisa de um médico na Saúde. Prefere um áulico. A transferência de Weintraub unificaria o governo em torno do erro, dispensando o Brasil de continuar prestando atenção à pasta da Saúde. Com sorte, o país ganharia um ministro da Educação menos precário. Ainda que se esforce muito, Bolsonaro terá dificuldades para piorar o MEC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

 

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