BOLSONARO, DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS – ALBERTO CARLOS ALMEIDA – BLOG EM VEJA.COM

Bolsonaro se inspira em Dona Flor e seus dois maridos

Teodoro é Trump, Vadinho é Xi Jinping e Bolsonaro é Dona Flor

Leandro Hassum, Juliana Paes e Marcelo Faria em ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ (Reprodução/Youtube)

Bolsonaro gosta muito de metáforas que envolvam casamento, namoro, beijos e todo tipo de relacionamento. Chegou a vez de Dona Flor e seus dois maridos.

Em breve haverá o leilão do 5G, possivelmente ano que vem. Trump e os EUA estão pressionando para que o Brasil barre a Huawei, gigante chinesa das telecomunicações. Os comunistas fabricam celulares, tablets e grandes equipamentos para redes de telecomunicações. A Huawei está muito na frente das empresas norte-americanas na corrida pelo 5G. Além disso, a Huawei já é a maior fornecedora de equipamentos de rede no Brasil, com participação maior do que 50%, ou seja, a Huawei vende mais equipamentos no Brasil do que todas as outras concorrentes somadas. O casamento com Xi Jinping é mais tentador ainda porque a China oferece financiamento, o que torna os equipamentos mais baratos e competitivos.

Não é o governo brasileiro quem compra esses equipamentos. O governo faz licitações, estabelece metas e prazos e vende as outorgas ou licenças. As empresas de telecomunicações, inteiramente privadas, é que compram as outorgas, compram os equipamentos e montam suas redes.
Portanto, o governo não precisa decidir quais equipamentos podem ou não ser comprados, basta deixar que as empresas decidam isso. Na livre concorrência a Huawei tem vencido as americanas com facilidade.

Países não têm preferência ideológica, não têm amigos, países têm interesses. A FIESP iluminou seu prédio na Paulista de vermelho para comemorar os 70 anos da Revolução Comunista na China. Esqueceram o lema de que “nossa bandeira jamais será vermelha!”. Tudo pelos negócios “da China”. Paulo Guedes se entusiasmou e propôs uma área de livre comércio Brasil e China. Depois, mais moderado, disse que podia ser uma boa ideia no futuro. Com o PIB crescendo abaixo de 1%, Bolsonaro não pode se dar ao luxo de desprezar o maior parceiro de comércio. Bolsonaro casou com Teodoro, Trump, mas que o excita mesmo é Vadinho, Xi Jinping.

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