BOLSONARO INVENTOU O CALOTE IDEOLÓGICO – BERNARDO MELLO FRANCO, O GLOBO, RJ

DÍVIDA BILIONÁRIA

Bolsonaro inventou o calote ideológico

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro | Carl de Souza/ AFP

Jair Bolsonaro inaugurou o calote com desculpa ideológica. O Brasil deve cerca de R$ 1,7 bilhão às Nações Unidas. Se não quitar parte do débito até o fim do mês, poderá perder o direito a voto.

O Ministério da Economia alertou o Planalto para o risco do vexame diplomático. Ontem o presidente indicou que não pretende coçar o bolso. “Não estou preocupado com isso”, disse. “Muitas decisões da ONU não interessam para a gente. A gente sabe que está politizado esse negócio. Está aparelhado”, acrescentou. Ao ser lembrado de que o Brasil pode ser retaliado, ele deu de ombros. “Paciência”, desdenhou.

O calote internacional não é invenção do atual presidente. Dilma Rousseff também deixou de cumprir suas obrigações com a ONU. Suspendeu os pagamentos em 2014, no início da crise econômica. Deixou uma dívida superior a R$ 1 bilhão, quitada no governo de Michel Temer.

A diferença entre os dois casos é que a petista culpou a recessão e prometeu assinar o cheque quando pudesse. Bolsonaro preferiu se vangloriar do calote. É como se ele dissesse às Nações Unidas: “Devo, não nego, não pago enquanto puder”.

O capitão já deixou claro que não entende a importância da diplomacia. Ontem ele quebrou uma tradição de três décadas ao boicotar a posse do novo presidente da Argentina, Alberto Fernández. Desde a redemocratização, nenhum chefe de Estado brasileiro havia deixado de ir a Buenos Aires para esse tipo de cerimônia.

Em Brasília, o presidente disse estar “torcendo para que a Argentina dê certo”. É pouco para quem tento