BOLSONARO QUEBRA SILENCIO E DEFENDE PAZZUELO – CARLA ARAUJO, UOL

“Pazuello é um predestinado, nos momentos difíceis sempre está no lugar certo para melhor servir a sua Pátria”, escreveu o presidente. “O nosso Exército se orgulha desse nobre soldado”, completou Bolsonaro.

O Exército pode se orgulhar de Pazuello, mas não quer ele na ativa e no governo.

“Enquanto era algo transitório, temporário, para que ele pudesse cumprir uma missão até dava para se manter. Agora, no momento que a sua permanência se prolonga, o lógico é que ele peça a reserva”, disse um general da ativa, com trânsito no Alto Comando.

No Palácio do Planalto também é consenso de que a situação amplia o desgaste para as Forças Armadas. Ministro palacianos — todos de origem militar — defendem que é preciso separar cargos políticos das Forças Armadas. A pressão vinda da caserna fez inclusive com que Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral) antecipasse sua aposentadoria da farda no início do mês.

Na mensagem postada nesta quarta-feira, o presidente lembrou que Pazuello é formado na Academia Militar das Agulhas Negras, na arma de Intendência, “possuindo mais de 40 anos de experiência em logística e administração”.

O presidente diz ainda que “quis o destino” que o Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. “Com 5.500 servidores no Ministério o Gen levou consigo apenas 15 militares para a pasta. Grupo esse que já o acompanhava desde antes das Olimpíadas do Rio”.

Acontece que não é o destino que decide o comando da pasta da Saúde. É o presidente.

Ontem, em entrevista à Globo News, o vice-presidente Mourão externou um sentimento que é comum entre militares – principalmente aos da ativa que não fazem parte do governo – o presidente fez uma breve carreira militar. Encerrou sua contribuição às Forças Armadas como Capitão e depois foi por mais de duas décadas político.

“Ele é mais político do que militar e os militares que quiserem continuar a fazer parte do governo precisam tomar essa decisão”, disse um general, exaltando o mantra repetido diariamente nos quartéis: Exército é uma instituição de estado e não de um governo.

Diante disso, apesar do apoio explícito do presidente, é improvável que a situação de Pazuello não tenha algum tipo de desfecho. Seja deixar a farda e assumir o comando da Saúde de fato. Ou avisar ao presidente que cumpriu a missão e passar o bastão para um sucessor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

MEU COMENTÁRIO:

Certas notas e comentários parecem estar completamente fora do lugar.

Ninguém discutiu ou pôs em dúvida as qualidades pessoais e integridade do general Pazzuelo, atual ocupante interino do Ministério da Saúde.

O que se critica é o fato de um militar, sem formação ou mesmo experiência médica, estar ocupando um cargo estratégico, no momento de uma terrivel pandemia que nos atinge no plexo.

Estamos caminhando para 100.000 mortes e sabe-se lá quantas mais.

A letargia nacional está nos levando a banalizar os efeitos da pandemia, como algo que fazendo parte da paisagem já não mais nos surpreende.

Será que neste país de 200 e tantos milhões de habitantes, não existe um cidadão com formação e experiência médicas, capaz de assumir o abacaxizão que é o ministério num governo como o de Bolsonaro?

Pobre país esse... e pobre o povo desse país sem líderes.

BOLSONARO QUEBRA SILENCIO E DEFENDE PAZZUELO – CARLA ARAUJO, UOL
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