Brasileiros e argentinos farão semis da Libertadores para ninguém botar defeito – JUCA KFOURI, FOLHA

Quando o Palmeiras pisar no estádio Libertadores da América para enfrentar o River Plate pelas semifinais do torneio continental, no dia 5 de janeiro, estará pronto para o 13º embate contra o tetracampeão sul-americano, de quem perdeu seis vezes e venceu três.

Os únicos jogos entre os dois pela Copa Libertadores aconteceram em 1999. No Monumental de Núñez os argentinos venceram por 1 a 0 e, no Palestra Itália, Alex deu show, fez dois gols e o Palmeiras ganhou por 3 a 0 para se classificar às finais que valeram seu único título.

Quando o Santos pisar na Bombonera para enfrentar o Boca Juniors pelas semifinais do torneio continental, no dia 6 de janeiro, estará pronto para fazer também o 13º embate com o hexacampeão sul-americano, de quem perdeu quatro vezes e venceu seis.

O último jogo entre os dois aconteceu 17 anos atrás, quando o Boca venceu por 3 a 1, no Morumbi, e foi pentacampeão continental.

Era o troco pelo bicampeonato santista conquistado em 1963 na Bombonera, de virada, por 2 a 1, gols de Coutinho e Pelé.

Sim, os dois só se enfrentaram na Libertadores para decidir o título e a nota curiosa de agora é a presença de Carlitos Tévez, autor de um dos gols em 2003, aos 19 anos.

A vantagem que os dois brasileiros teriam, a dos jogos de volta em casa, se desfaz pela ausência de torcida, embora os portenhos mais se alimentem da hostilidade do que a temem.

Neste 2020 o balanço dos nove mata-matas entre brasileiros e argentinos, na Copa Libertadores e na Sul-Americana, é acachapante: apenas um brasileiro se classificou, o Bahia, contra o Unión de Santa Fé, para depois cair diante do Defensa y Justicia. Com um detalhe: metade das eliminações aconteceu em gramados brasileiros.

O Galo foi eliminado pelo Unión, o Fortaleza pelo Independiente, o São Paulo para o Lanús e o Vasco também para o Defensa y Justicia, na Sula.

Na Liberta, Athletico-PR, Flamengo e Internacional não resistiram a River Plate, Racing e Boca Juniors respectivamente.

Pensar numa final, no Maracanã, dia 30 de janeiro, entre Palmeiras e Santos é sonho que remete à década de 1960.

Entre 1960 e 1969, em dez Campeonatos Paulistas, o Santos ganhou oito e o Palmeiras dois, além de ter sido quatro vezes vice-campeão.

Ironia será ver outra decisão entre os dois gigantes de Buenos Aires. Já decidiram uma vez o título continental no Santiago Bernabéu, em Madri, em 2018, e podem cometer tamanha desfeita no Rio. Soará como um Corinthians x Flamengo na Bombonera.

Porque, como diz o sociólogo Pablo Alabarces, da Universidade de Buenos Aires, “os brasileiros amam odiar os argentinos e os argentinos odeiam amar os brasileiros”.

Se para Galvão Bueno, “Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é muito mais gostoso”, Luis Fernando Verissimo, com a genialidade que o distingue, foi além. Ao comentar o gol de mão de Túlio contra os hermanos na Copa América de 1995, saiu-se com esta: “Contra a Argentina, mão é peito”.

Estamos em contagem regressiva. Mais nove dias, o Palmeiras estará em Buenos Aires. Mais dez, será a vez do Santos.

Dois empates serão bem-vindos. Com gols, então, nem se fala. Querer mais, será demais. E dizem que quem tudo quer, nada tem.

Que Pelé e Alex iluminem Marinho e Gabriel Veron.

Porque ironia maior será ver Verón, ídolo do Estudiantes e homenageado pelo nome do menino, feliz com a derrota dos rivais locais.

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