Bug do Milênio: 21 anos – Arnaldo Ribeiro, JORNAL DA CIDADE

Se você tem uns 30 anos, deve se lembrar bem do Bug do Milênio, que neste janeiro deveria completar seus 21 anos. “Deveria” porque, na verdade, ele foi uma espécie de fantasma que assustou a todos nós, mas que nunca saiu do campo da imaginação. Caso você ainda não o conheça, o Bug seria uma pane nos computadores na virada do ano de 1999 para 2000. A mudança nos números, pelo menos em teoria, não seria entendida pelos computadores e tudo poderia parar, do sistema elétrico ao bancário, dos PCs da época até o sistema de bombas atômicas mundo afora.

Todos nós ficamos apreensivos naquela contagem regressiva para o Réveillon e, bom, como você sabe, o mundo não acabou. Mas é fato que ele mudou. Muito! A Internet era ainda uma criança em 1999. Aliás, pouquíssimas pessoas sequer tinham um computador em casa ou um celular no bolso. Por falar neles, os celulares eram os antigos tijolões, bem diferentes dos smartphones de hoje.

Na TV, o grande sucesso era a novela “Terra Nostra” da TV Globo, estrelada por Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio. Na música, sucessos como “Anna Júlia” (Los Hermanos), “Sozinho” (Caetano Veloso) e “Livin’ La Vida Loca” (Ricky Martin) estavam nas paradas. No cinema, os filmes questionavam o papel do homem, a masculinidade tóxica. “Beleza Americana”, “Clube da Luta” e “A Bruxa de Blair” são alguns exemplos.

Na política, Nilson Costa era o nosso prefeito, Geraldo Alckmin estava assumindo seu primeiro mandato como governador de São Paulo e Fernando Henrique Cardoso comandava o País. Muita coisa mudou de lá para a era Suéllen Rosim/ João Doria/ Jair Bolsonaro. Nossa relação com a tecnologia, com as artes, com a política e até com a sociedade é outra.

Éramos mais tolerantes, não existia a polarização política de hoje. Ainda não havia rede social nem a enxurrada de mensagens tóxicas e as fake news que encontramos hoje com apenas alguns cliques. Pandemia era apenas um pesadelo que um dia poderia se tornar realidade. Por outro lado, muita coisa melhorou, não podemos negar.

A paranoia do Bug se foi faz tempo, mas é sempre bom relembrar para entender aquele momento e comparar com o que vivemos agora. Será que a sociedade está em um caminho mais correto? Difícil dizer… Talvez seja melhor esperar mais 21 anos antes de responder, e nesse contexto entender que o “ser” é muito mais que o “ter”.

O autor é jornalista.

Bug do Milênio: 21 anos – Arnaldo Ribeiro, JORNAL DA CIDADE
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