CASO PERDIDO – DORA KRAMER – VEJA.COM

Numa frase, o presidente pôs a perder a chance de tomar a liderança da administração da crise

Jair Bolsonaro, usando máscara protetora, durante entrevista coletiva para anunciar medidas para conter a propagação da doença por coronavírus, em Brasília Adriano Machado/Reuters

Se a ideia da entrevista coletiva de agora há pouco (18/03) era apaziguar os ânimos e colocar o presidente na liderança do processo de combate a expansão da Covid-19, Jair Bolsonaro conseguiu pôr tudo a perder numa frase: naquela em que disse que as pessoas não devem se surpreender se ele surgir num vagão lotado de metrô a fim de demonstrar sua proximidade com o povo.

Contrariou tudo o que estava sendo dito pela equipe ministerial e, apesar do esforço para fazer um discurso ameno, o presidente da República não perdeu a oportunidade em várias ocasiões de acionar o travo de ressentimento ao tentar minimizar e justificar o injustificável ato de domingo passado, 15, na confraternização com seus admiradores em frente ao Palácio do Planalto.

Não dá como se conferir crédito às palavras do presidente quando ele recomenda precauções e ao mesmo tempo informa não apenas que considera normal que ainda circulem vagões lotados nos metrôs como avisa que compartilharia sem problemas da aglomeração.

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