Cobrança de Leonardo e seriedade de Neymar mudaram o PSG – P.V.COELHO – FOLHA

Cobrança de Leonardo e seriedade de Neymar mudaram o PSG
Dirigente deu bronca dura em craques, que se uniram para dar resposta em campo

Os jogadores do Paris Saint-Germain fizeram uma espécie de pacto depois de uma discussão pesada no vestiário, três dias após a derrota para o Borussia Dortmund.

No meio das oitavas de final, com risco de eliminação, o elenco fez uma festa para comemorar os aniversários de Di María, Icardi e Cavani.

O diretor esportivo do PSG, o brasileiro Leonardo, entrou no ambiente dos craques falando grosso. Fez cobrança dura e virou o alvo.

O elenco se voltou contra o dirigente, e o clima ficou pesado. O resultado prático foi a unidade do grupo de jogadores. Ganhar a Champions passou a ser a resposta de profissionalismo a ser oferecida a Leonardo, depois da cobrança pela falta de seriedade.

Ficou sério.

Leonardo virou uma espécie de Jerry Krause light, o diretor odiado pelos jogadores do Chicago Bulls, mas que ajudava a empurrar a estrutura.

Uma semana depois de fazer um dos gols da virada no confronto contra o Borussia Dortmund, com vitória por 2 a 0, Neymar pegou seu jatinho com destino a Mangaratiba. Veio ao Brasil para trabalhar.

Julgava que lhe faltava massa muscular, precisava recuperar potência e velocidade.

Há um ano, Neymar convivia com uma acusação de estupro, agressão a torcedor na tribuna do Stade de France, vídeo em festa na Bahia com Gabriel Medina e uma sucessão de lesões. A pergunta é se as festas levaram à perda de massa muscular. A conclusão é que a falta de massa muscular pode ter contribuído para as lesões.

Quando veio a quarentena, Neymar enxergou uma oportunidade de evolução, não de descanso. Seu preparador físico, Ricardo Rosa, ajudou no diagnóstico de que todos estariam sem ritmo de jogo no retorno da pandemia. Todos. Manchester City, Real Madrid, Atalanta, Barcelona, Bayern… A diferença seria a condição física.

Neymar trabalhou três meses em sua casa, em Mangaratiba, onde tem uma enorme academia. Está um foguete. A arrancada no início do jogo contra a Atalanta mostra que recuperou sua força, potência e velocidade. As finalizações erradas podem ser resquício da quarentena, de longos 134 dias sem disputar partidas oficiais –o Bayern teve só 68 dias de parada.

Não é pelo tempo de paralisação que o Bayern é favorito. É porque tem mais camisa e, principalmente, porque une talentos como Lewandowski, Thiago Alcântara, Gnabry e Thomas Müller ao jogo coletivo.

Funciona mais como equipe do que o PSG, mais espaçado e dependente de seus craques.

Só que são três: Neymar, Mbappé e Di María. Os três são capazes de decidir jogos num segundo. Thomas Tuchel não é um técnico tão brilhante quanto Hans Dieter Flick, assistente de Joachim Löw no título mundial da Alemanha e, portanto, presente nos 7 a 1 contra o Brasil e nos 8 a 2 sobre o Barcelona.

Mas Tuchel deu harmonia na briga das estrelas contra Leonardo e mudou o astral em comparação com o período do ex-técnico, Unai Emery. Na época, o treinador espanhol era acusado de se escorar no baixo clero e escalar jogadores como Lo Celso, Berchiche e Rabiot, em detrimento das estrelas.

O ambiente explodiu na eliminação nas oitavas de final de 2018 e deixou resquícios. Depois da derrota na final da Copa da França de 2019, nos pênaltis contra o Rennes, Neymar apontou para os mais jovens e disse que “tinham de ser mais homens no vestiário”.

Hoje a aparência é que Neymar entendeu que tem dois anos para a eternidade. Se ganhar a Champions contra o Bayern e a Copa do Mundo de 2022, vamos falar do craque brasileiro pelo resto dos tempos.

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Jornalista e autor de Escola Brasileira de Futebol. Cobriu seis Copas e oito finais de Champions.

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