Conheça sete séries premiadas que cutucam o racismo nosso de cada dia – LUCIANA COELHO, FOLHA

Conheça sete séries premiadas que cutucam o racismo nosso de cada dia
Produções dos últimos anos estão disponíveis em serviços de streaming

O assassinato de Beto Freitas, um homem negro, por seguranças do Carrefour na véspera do Dia da Consciência Negra choca e serve de espelho para nos questionarmos sobre o racismo no dia a dia.
A violência direcionada a pessoas negras é tema crescente na produção de séries. A coluna reúne uma lista de sugestões recentes neste tema.

‘Olhos que Condenam’ (2019, Netflix) – A minissérie de Ava DuVernay sobre a condenação injusta de cinco adolescentes por um crime contra uma mulher branca é pungente, revoltante e informativa, recontando um caso real que reflete muitos outros. Jharrel Jerome sobressai em meio a um elenco impecável.

‘Lovecraft Country’ (2020, HBO) – Alegoria para a história de tensão racial dos Estados Unidos, a série de Misha Green com produção de Jordan Peele usa a fantasia para tratar de problemas tristemente mundanos e reais. Peele tem se dedicado ao terror para tratar de racismo, num casamento inusitado mas feliz, tornando-se uma das principais cabeças em Hollywood a carregar esta bandeira.

‘Watchmen’ (2019, HBO) – Regina King brilha como a justiceira criada por Alan Moore nesta adaptação para a TV da graphic novel sobre um futuro alternativo e no qual a tensão racial não é tratada como algo passível de ser ignorado e o passado escabroso é revisitado sem filtros. A série acumulou 11 prêmios Emmy.

‘Atlanta’ (2016-, FX/Netflix) – Dá para tratar com sarcasmo a naturalidade com que o racismo se entremeou à sociedade americana (e aqui também poderíamos), e Donald Glover, o gênio precoce por trás desta série que caminha para a quarta temporada, o faz muito bem. As desventuras dos primos Earn e Alfred são de um humor corrosivo, mas necessário, que aponta a mira não apenas a tensão racial, mas toda a desigualdade nossa de cada dia.

‘Pico da Neblina’ (2019, HBO) – Cômica e melancólica em sua sinceridade, esta série brasileira explicita o abismo entre quem nasce no miolo da cidade e suas periferias, entre quem nasce branco e quem nasce preto. O Brasil fictício acaba de legalizar o uso da maconha, e as ondas que essa decisão emana põem em xeque toda uma cadeia de privilégios e discriminações .

‘Segunda Chamada’ (2019, Globoplay) – Que beleza é esta série que mostra uma escola em seu programa para jovens e adultos. São os mais vulneráveis entre os já vulneráveis, equilibrados por um elenco brilhante que vai de Deborah Bloch a Linn da Quebrada. A impressão de puro desencanto aos poucos é desfeita pelo efeito potencializado da educação, tão vilipendiada no país.

‘Little Fires Everywhere’ (2020, Hulu/Amazon) – A minissérie com Reese Witherspoon e Kerry Washington sobre duas mulheres com filhos é sutil e profundamente feminista. Além de preconceitos arraigados, ela questiona também o papel ativo de homens e mulheres em mudar, quando possível, seu futuro e o alheio. Se nada disso agradar, há ainda uma eficiente trama de suspenses e culpas contada em retrospecto.

Luciana Coelho
Editora do Núcleo de Cidades, foi correspondente em Nova York, Genebra e Washington e editora de Mundo.

Conheça sete séries premiadas que cutucam o racismo nosso de cada dia – LUCIANA COELHO, FOLHA
Rolar para o topo