DESAVENÇA ENTRE BOLSA E MORO EXIGE NOCAUTE – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS NO UOL

A desavença entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro é um desses conflitos que precisam ser levados às últimas consequências. Todo brasileiro de bem tem o dever cívico de exigir que a contenda prossiga. Até ontem, Moro e Bolsonaro coabitavam o mesmo governo. Bolsonaro exaltava os serviços prestados ao país pelo “patriota” Moro. E o então ministro da Justiça envernizava com o seu “patriotismo” o casco do governo. Agora, chamam-se mutuamente de mentirosos, tratam-se como dois desqualificados.

Essa briga só terminará bem se um dos dois for retirado do ringue de maca. Comparando-se as fichas de ambos, Moro ergue os punhos como favorito. O ex-juiz acusa o presidente de tramar o aparelhamento político da Polícia Federal para submeter o órgão aos seus interesses, obtendo até mesmo informações sobre investigações sigilosas. Mencionou inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal. Ele diz ter provas.

Em entrevista à Veja, Moro disse ter detectado um descompromisso de Bolsonaro com o combate à corrupção. Ele empilhou evidências: o esvaziamento do Coaf, o descaso com o pacote anticrime, a sanção do juiz de garantias, o namoro com o centrão e, finalmente, a “gota d’água”: a demissão de Maurício Valeixo do comando da PF. Moro foi condescendente com o ex-chefe. Absteve-se de citar Flávio Bolsonaro e a rachadinha, o repasse do amigo Fabrício Queiroz para a primeira-dama Michelle, os ministros encrencados com a lei que permanecem na Esplanada.

Entretanto, quem observa a movimentação desapaixonadamente se pergunta: por que o ex-juiz passou um ano e quatro meses engolindo sapos? Por que demorou tanto tempo para regurgitar os batráquios? É algo tão esquisito quanto a descoberta de Bolsonaro de que lidava com um ministro mentiroso. Daí a importância de assegurar que essa desavença seja levada às últimas consequências. O risco desse tipo de briga é quem olha de longe não conseguir distinguir quem é quem. Por isso, é essencial que alguém prevaleça. A situação exige um nocaute.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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