Descubra qual bebida une ‘O Poderoso Chefão’, Tom Cruise e o Roupa Nova – DANIEL MESQUITA BENEVIDES, FOLHA

Descubra qual bebida une ‘O Poderoso Chefão’, Tom Cruise e o Roupa Nova
Mistura que leva rum e Coca-Cola, cuba libre, aparece no cinema e em letras de música brasileiras e internacionais

Eu sei que foi você, Fredo. Você partiu meu coração!” Michael Corleone (Al Pacino) segura com força o rosto de seu irmão Fredo (John Cazale) e lhe dá o beijo da morte. Estamos na festa de ano novo, num grande salão em Havana. Fredo, bêbado e apavorado, tenta se misturar na multidão, longe da vendetta fratricida.

Ao mesmo tempo, a celebração de cubanos ricos e de empresários e políticos americanos é interrompida pela euforia dos simpatizantes de Fidel Castro, que tomam as ruas.

Cenas patéticas mostram o desespero no cais onde estão atracados lanchas e iates vindos de Miami. O ditador Fulgêncio Batista, apoiado pelos EUA, abdica do cargo e foge.

Pouco antes, vemos o pusilânime Fredo, talvez o mais complexo personagem da família Corleone, oferecer drinques típicos da ilha a um grupo de figurões interessados em investir nos cassinos e bordéis locais.

Curiosamente, não cita os esperados mojito e daiquiri, mas sim o cuba libre (que pronuncia “Libra”, como os demais americanos) e a Piña Colada, que na verdade, é uma invenção porto-riquenha.

Ainda que não seja explícito, a julgar pelo formato do copo e pela cor do coquetel, Michael claramente toma um cuba libre, o que corresponde sutilmente à sua opinião sobre os guerrilheiros: acha que vão ganhar, pois lutam por um ideal e não por um salário.

“O Poderoso Chefão 2” (1974), onde se passam essas cenas, venceu seis prêmios Oscar (incluindo o de filme e roteiro, como o anterior). É o melhor filme da trilogia de Coppola baseada no livro de Mario Puzo. A versão requentada da terceira parte, que está “em cartaz”, é muito boa, mas fica pálida em comparação.

“Chefão 2” é também uma das cinco oportunidades para ver o grande Cazale em ação. Adorado pelos amigos De Niro (atuaram juntos em “O Franco Atirador”) e Pacino (com quem fez “Um Dia de Cão”), morreu aos 42 anos, de câncer, deixando inconsolável sua namorada, Meryl Streep.


O cuba libre tomado pelo frio Godfather é um drinque que desperta suspeitas, mas é bem melhor do que parece. Isso porque não é tão simples como diz o aprendiz de bartender Tom Cruise no longa “Cocktail”.

Numa cena do filme cafona de 1988, Cruise ainda não é o pop star que se tornaria atrás do balcão, e se vê atormentado por mais pedidos do que pode atender. Uma garçonete fica insistindo: “Não saio daqui sem meu cuba libre” (ela também pronuncia “libra”).

Até que, em meio a milhões de braços estendidos e algazarra geral, ele pega o livro de receitas e grita: “Sua vaca! Por que não me disse que era rum com Coca-Cola?”

As cantoras Andrews Sisters ajudaram a corroborar esse “erro”, com o sucesso do calipso “Rum and Coca-Cola”, número um da parada de 1945, lançado num disco de título sugestivo: “Songs that Won the War”.

Acontece que o cuba libre, possivelmente criado em 1898 por um militar yankee no fim da guerra hispano-americana, em que Cuba se tornou independente (na verdade, de colônia espanhola passou a resort dos EUA , daí o Libre, pero no mucho), leva também suco de limão e angostura, o que faz toda a imensa diferença, equilibrando a doçura do refrigerante.

Mas não peça um cuba libre na ilha do Buena Vista Social Club. Pega mal. O drinque pouco tem a ver com o embargado país pós-revolução —é mais um símbolo do passado contra o qual lutaram os cubanos do que qualquer outra coisa.

O brinde vai para Paulinho, cantor do Roupa Nova, que morreu recentemente de Covid-19. Na nostálgica “Whiskey a go-go” ele lembra, junto com a banda: “foi numa festa, gelo e cuba libre”.

CUBA LIBRE
Ingredientes

60 ml de rum golden
15 ml de suco fresco de limão
120 ml de Coca-cola

Passo a passo
Coloque o rum e a Coca-cola num copo Collins (comprido) com gelo. Esprema uma ou duas metades de limão e deixe-as no copo. Acrescente duas ou três gotas de Angostura. Mexa levemente.

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