ELIO GASPARI – O GLOBO, RJ

Laços

Desde o tempo em que estava na carceragem de Curitiba, Lula cuidou de restabelecer as boas relações que tinha com empreiteiros.

Frigideira

Bolsonaro disse tudo:

“Já falei para vocês que quem entende de economia é o Paulo Guedes, o Pedro Guimarães, o Roberto Campos. Eles que tratam deste assunto. Dei carta branca para eles”.

Pedro Guimarães é o presidente da Caixa, e Roberto Campos dirige o Banco Central. Até essa declaração, o “Posto Ipiranga” era o único da estrada.

A caça ao AI-5

Há um mistério no processo de criação do partido dos Bolsonaro. Até os mármores do Tribunal Superior Eleitoral sabem que o partido não poderá ser criado neste ano, nem no próximo. Admar Gonzaga, o advogado dos Bolsonaro, é um veterano conhecedor do tribunal, onde foi ministro.

Fica a suspeita de que se esteja criando um clima de conflito com o Judiciário.

Nota triste

Nos últimos meses o universo dos Odebrecht foi transtornado por duas cartas. Numa, Marcelo Odebrecht dirigiu-se à sua “cara família” com cinco referências ao “legado” e ao “suor” de seu “sábio” avô, o patriarca Norberto (1920-2014) e apenas uma, quase genérica, ao pai, Emílio. Nessa carta Marcelo colocava-se “à disposição da nossa família para ajudar no que for preciso” na reconstrução da empresa.

Na outra carta, dirigida aos integrantes da holding Kieppe, que controla a Odebrecht, Emílio manifestou sua alegria pelo fim do regime de prisão domiciliar de Marcelo e reiterou que seu filho Maurício “é meu sucessor como mandatário da Kieppe”.

Em outubro passado, Marcelo disse num depoimento que “a relação de Lula pertencia ao meu pai, eu tinha que referendar esses valores com ele, buscar a autorização dele.”

Norberto Odebrecht amava suas obras, mas sua maior paixão era a família. Talvez preferisse que todas as construções desabassem a ver o conflito de seu filho com um neto.

Jogatina

Em maio, Bolsonaro disse que “brevemente, estará sendo apresentado aos senhores um projeto que, com todo o respeito ao Paulo Guedes, a previsão é de termos dinheiro em caixa maior do que a reforma previdenciária em dez anos”. Ficou nisso.

Com jeito de quem não quer nada, o ministro do Turismo e a bancada do jogo estão trabalhando para reabrir os cassinos, fechados há mais de 50 anos.

Se esse jabuti subir na forquilha, o crime desorganizado finalmente poderá ser organizar.

Saudades dele

Ao baixar um tabelamento adocicado dos juros do cheque especial, a ekipekonômica desafiou 20 anos de parolagens da turma do papelório que justificava suas taxas lunares argumentando que esse era o jogo que deveria ser jogado. No rastro da medida estuda-se baixar também os juros dos cartões de crédito, que estão em 317 % ao ano.

Bons tempos aqueles do PT no governo, quando a banca ganhava dinheiro durante o dia e falava mal de Lula na hora do jantar.

ELIO GASPARI – O GLOBO, RJ
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