Em defesa do ex-capitão que se explica mal- RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

Tradutor de pensamento

Por Ricardo Noblat – 2 abr 2020, 09h00

Jair Bolsonaro em pronunciamento em cadeia nacional nesta terça-feira (31) Isac Nóbrega/PR

Estamos de acordo que o presidente Jair Bolsonaro tem dificuldades para entender certas coisas, e que por conta disso muitas vezes as reproduz mal quando obrigado a repeti-las.

Em mais uma entrevista exclusiva a Luiz Datena, apresentador de programa da Rede Bandeirantes de Televisão, Bolsonaro não soube explicar direito o que queria dizer. Natural.

Ele quis dizer que, se jovens fossem logo infectados pelo coronavírus, retardariam o pico de atendimento dos velhinhos na rede de saúde, o que acabaria por salvar mais gente idosa.

Jovens são mais resistentes e morrem menos. Mas Bolsonaro não desejou que eles se infectassem de propósito. Seria aconselhável que Bolsonaro só falasse com um tradutor ao seu lado.

Não tem um tradutor de libras? Teria outro de pensamento. A ideia não é nova. Foi usada pelo publicitário baiano Geraldo Walter para debochar de um candidato que falava empolado.

Em metade da tela do televisor, aparecia o candidato dizendo coisas incompreensíveis. A imagem congelava. E na outra metade aparecia o tradutor do candidato. Foi um sucesso de audiência.

Mas não foi suficiente para derrotar o candidato que se elegeu. Em respeito à sua memória, omito seu nome. Foi um dos mais celebrados senadores de sua época. Jurista de mão cheia.

Em defesa do ex-capitão que se explica mal- RICARDO NOBLAT, VEJA.COM
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