EMBAIXAS QUEREM SABER QUAL É A NOSSA – EVANDRO ÉBOLI – BLOG EM VEJA.COM

Embaixadas buscam informações sobre o Brasil e a crise no Oriente Médio

Querem entender a real dimensão do alinhamento do governo Bolsonaro com Estados Unidos e Israel

Por Evandro Éboli – Atualizado em 13 jan 2020, 07h06 –

O jornalista Marcelo Rech, em palestra sobre terrorismo para oficiais da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Câmara. // Acervo pessoal/Divulgação

Embaixadores no escuro em relação aos rumos do governo brasileiro nessa crise Estados Unidos-Irã  estão recorrendo a consultores para tentar explicar a quatro países os passos de Jair Bolsonaro e as consequências do apoio automático do Planalto aos norte-americanos.

O jornalista Marcelo Rech, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa, faz análises para embaixadores de países da Europa, do Oriente Médio e da América do Sul. Ele também atuou durante anos como assessora da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e participou de uma conversa com Bolsonaro sobre política externa, em 2019.

Para Rech, mesmo a poeira baixando, vai existir o risco que podem envolver a Tríplice Fronteira, onde atuam simpatizantes do Hezbollah.

Sobre o alinhamento automático do Brasil com Estados Unidos e Israel, Rech chama a atenção de um fator.

“Em algum momento, se houver um conflito, seremos cobrados para enviar tropas e não temos nenhuma capacidade de fazê-lo. Não estamos nem atendendo aos pedidos de tropas para missões de paz por questões econômicas”, disse o jornalista ao Radar.

“Do ponto de vista político, o Brasil não tem papel algum, hoje, na região. A sua aliança com Israel pôs fim a qualquer possibilidade de o país ser um ator relevante e com credibilidade”.

Sobre as relações comerciais, ele lembra que o Irã é um país periférico e que responde por menos de 1% do comércio exterior do Brasil.

“O Irã, mesmo antes de pensar num embargo à exportação de produtos brasileiros, já tinha sérios problemas com sua capacidade de pagamento, por conta das sanções econômicas em vigor. E, agora, novos embargos que só pioram a situação”.

A sequência de fatos após o assassinato de Suleimani, protagonizados pelo Irã – como a derrubada do avião ucraniano – está na análise de Rech.

“O reconhecimento, por parte do regime, de que o avião ucraniano foi derrubado por engano, permite a retomada dos protestos internos que haviam cessado por conta da comoção em torno de morte do general Suleimani. Se os americanos forem inteligentes, não devem se envolver. O Brasil menos ainda. A tragédia revela as limitações do Irã e da sua classe dirigente”.

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