FATOS CONSUMADOS – DORA KRAMER – VEJA.COM

Valeixo confirma Moro e vai além na suspeita de ingerência

O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo – Paulo Lisboa/AFP

Compreende-se que a defesa militante do presidente queira reduzir a importância do depoimento do ex-diretor geral de Polícia Federal Maurício Valeixo no inquérito que apura denúncia de Sergio Moro sobre tentativas de interferência de Jair Bolsonaro na PF, mas os fatos não podem ser alterados.

Fato é que Maurício Valeixo disse ter ouvido do presidente que não havia outro motivo para a troca de comando a não ser o desejo de colocar no lugar dele alguém com quem tivesse “afinidade”. Ou seja, uma pessoa que compartilhasse sentimentos, gostos e interesses.

Fato é que o diretor-geral da Federal não está submetido a esse critério e sim aos ditames constitucionais de autonomia e eficiência. Qualquer coisa diferente disso, e na ausência de alegações funcionais, caracteriza ingerência indevida.

Fato é que a não-interferência aludida por Valeixo durante o tempo em que esteva no cargo só foi possível pela barreira imposta por Moro. Daí a divergência com o presidente, daí a decisão de deixar o ministério.

Fato é que Valeixo confirmou o que disse Moro inclusive sobre a mentira a respeito do pedido de exoneração que Bolsonaro pregou em letras impressas no Diário Oficial.

Fato é que nenhum depoente até agora falou em crimes, pois a cena criminal foi introduzida pelo procurador-geral da República. Da mesma forma que aventou a possibilidade de gravidade maior, Augusto Aras pode vir a considerar que, de acordo com os depoimentos, houve apenas falhas menores e, assim, arquivar o inquérito sem oferecer denúncia.

Fato é que nesse caso estará recorrendo à lógica para incorrer num sofisma.

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