FLERTE COM O ESCÁRNIO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS

Na iniciativa privada, qualquer executivo assediado pelas suspeições que rondam o ministro Vital do Rêgo seria rapidamente afastado. No setor público, o personagem é investigado, indiciado e agora denunciado sob a acusação de receber propina de R$ 3 milhões, tem os bens bloqueados, e continua dando expediente no Tribunal de Contas da União como se nada tivesse sido descoberto sobre ele. Em qualquer repartição pública, a situação seria um escândalo. Num órgão como o TCU, que existe para fiscalizar malfeitorias alheias, a presença de um denunciado se transforma em escárnio.

Ex-senador, Vital do Rêgo é acusado de extorquir a OAS em R$ 3 milhões para livrar a empreiteira de complicações numa CPI que ele presidia e que deveria supostamente investigar a Petrobras no Congresso. O ex-senador Gim Argello enfrentou acusação semelhante. Sem mandato, ele foi denunciado, julgado e condenado. Já deixou a cadeia. E o caso de Vital do Rêgo continua pendente de julgamento. O ministro guerreia no Supremo para recuperar o foro privilegiado, anulando o trabalho da força-tarefa de Curitiba.

Vital do Rêgo virou ministro do TCU em 2014, na cota do Senado. Foi indicado pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros, com o apoio de Dilma Rousseff. Quando o nome foi votado, havia 64 senadores em plenário. Colhidos os votos, 63 votaram a favor da ascensão do personagem precário à sinecura vitalícia do TCU. Embora a votação fosse secreta, o único senador que votou contra fez questão de se apresentar: Chama-se Jarbas Vasconcelos, hoje deputado federal. Jarbas justificou o voto contra afirmando que não tinha como aprovar a indicação de alguém que tinha as digitais de um governo inconfiável.

Personagens como Vital do Rêgo constituem uma evidência de que o grande erro da humanidade é a perversão moral não doer. E ela dói menos ainda quando o denunciado se protege atrás de cargos. Ouvido, Vital do Rêgo disse que “causa estranheza e indignação o fato de que a denúncia nasceu de um inquérito, aberto sem autorização do STF“, já que há no Supremo um recurso contra a remessa do processo para Curitiba. Quem se defende assim parece indefeso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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