Forças Armadas têm quatro meses para optar entre a Constituição e Bolsonaro – JOSIAS DE SOUZA, UOL

Forças Armadas têm quatro meses para optar entre a Constituição e Bolsonaro

As Forças Armadas travam uma corrida contra o relógio. Os militares dispõem de quatro meses para decidir de que lado estarão quando as urnas forem abertas em outubro. Podem se vincular à Constituição ou a Bolsonaro. Se continuarem na canoa do golpismo, a confusão que o presidente arma para o final do ano pode ganhar contornos de crise institucional.

Em resposta a questionamentos feitos pela Folha com base na Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Defesa reconheceu as Forças Armadas jamais questionaram a lisura das urnas eletrônicas em 25 anos. Tampouco elaboraram propostas de aperfeiçoamento do processo eleitoral.

De repente, subiram no palanque de Bolsonaro no final de 2021, ecoando as críticas infundadas do presidente às urnas e fornecendo material para que ele jogue as “minhas Forças Armadas” contra a Justiça Eleitoral. Arma-se um cenário tétrico.

Em outubro, o eleitor irá às urnas. Na sequência, as urnas serão abertas. Computados os votos, o TSE proclamará o resultado. Em caso de derrota de Bolsonaro, ele anunciará que não aceita o resultado. No pior cenário, repete-se no Brasil uma presepada semelhante à invasão do Capitólio pelos seguidores de Donald Trump.

Dependendo do tamanho da arruaça, o governador do Distrito Federal pode ter que pedir uma operação de Garantia da Lei e da Ordem, a GLO, com o acionamento das Forças Armadas para restabelecer a ordem.

Comandante supremo das Forças, Bolsonaro engavetará o pedido. Nessa hipótese, o governador se verá na contingência de acionar o Supremo Tribunal Federal. Responderá pela presidência da Corte a ministra Rosa Weber, que dispõe de poderes constitucionais para convocar uma GLO. Nesse instante, os militares brasileiros terão de informar se estão fechados com a Constituição ou com Bolsonaro. Tic-tac…

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