Governo celebra vitória contra Covid. Heimm?!?! – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS

Jair Bolsonaro promoveu no Planalto o evento ‘Brasil vencendo a Covid’. Falou bem de si mesmo e do seu governo, eficientíssimo no enfrentamento da pandemia. Discursou sobre um Brasil hipotético presidido por um estadista presumido. Muitos dos que ouviram o presidente ficaram tentados a pedir para viver no país que ele descreveu com tanto entusiasmo, seja ele onde for. Quem não gostaria de viver nesse Brasil em que o combate à Covid está dando certo?

A cada nova manifestação do presidente fica mais claro que a principal crise do Brasil não é sanitária, mas de semântica. Antes de discutir se o combate à pandemia está dando certo, é preciso combinar o que é “dar certo”. Definir quesitos, escolher índices, acertar critérios.

Ao trocar dois ministros da Saúde com formação médica por um general paraquedista, Bolsonaro foi previdente ou irresponsável? Ao desdenhar da pregação de Bolsonaro sobre os milagres curativos da cloroquina, o Brasil e o mundo ignoraram um gênio sem comprovação científica ou permitiram que legiões de pessoas fossem para a cova por maldade, só para não dar cartaz ao presidente brasileiro?

Quando Bolsonaro respondeu à escalada de mortes com um “e daí” ou “não sou coveiro” ou ainda “lamento, todos vamos morrer um dia”, suas palavras foram a expressão do realismo ou a materialização do desrespeito com o sofrimento alheio? Ao usar o STF como escudo para não assumir a coordenação nacional da crise, Bolsonaro exerceu seu papel ou tentou terceirizar responsabilidades intransferíveis?

Na celebração da suposta vitória do Brasil sobre a Covid, Bolsonaro queixou-se novamente da imprensa. Disse ter sido ironizado quando declarou que, graças ao seu histórico de atleta, sentiria apenas uma “gripezinha” caso fosse infectado pelo vírus. Um dia depois de ter expressado a vontade de “encher de porrada” a boca do repórter que lhe dirigiu uma pergunta sobre o dinheiro que Fabrício Queiroz depositou na conta da primeira-dama, Bolsonaro disse aos repórteres:

“Quando pega num bundão de vocês —a Covid— a chance de sobreviver é menor”. Ele não se deu conta de que chamou de bundões, por tabela, todos os brasileiros mortos pelo coronavírus. Estamos a caminho dos 120 mil mortos. Quantos precisarão morrer ainda para que Bolsonaro admita que deu errado?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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