HOMOFOBIA BATE Á PORTA DE BOLSONARO E ELE SILENCIA – RICARDO NOBLAT – VEJA.COM

Agressão a uma amiga da família

Karol Eller foi agredida no último domingo, na Barra da Tijuca Reprodução/Instagram

Um presidente da República não deve sentir-se obrigado a falar sobre qualquer coisa. No seu caso, mas não só, a continência verbal é recomendável. Mas há momentos em que a voz do servidor público nº 1 deve se fazer ouvir. E esse foi um deles.

Karol Eller, youtuber, amiga dos Bolsonaro, intransigente defensora deles, foi vítima de uma agressão no último domingo na Barra da Tijuca, no Rio. Ela estava em um quiosque com a namorada quando chegaram um casal e um homem.

Segundo a namorada, a policial civil Suellen Silva dos Santos, um dos homens, o supervisor de manutenção Alexandre da Silva, referiu-se a Karol como “ele” e disse que ela “não era mulher, era homem”. Em seguida, derrubou-a com um soco e a espancou.

Karol foi parar em um hospital com o rosto desfigurado. O caso foi registrado como lesão corporal e injúria por preconceito na 16ª Delegacia de Polícia. A delegada Adriana Belém, depois de ouvi-la, de ouvir o agressor e demais testemunhas, concluiu.

– Trata-se de um caso típico de homofobia, sem ligação com a militância da vítima. De acordo com os depoimentos, os agressores chamavam a Karol o tempo todo de sapatão e demonstravam claramente preconceito.

Em sua conta no Instagram Karol aparece abraçada com o presidente Bolsonaro. Há poucas semanas, ela viajou a Brasília para agradecer sua contratação como assessora da Empresa Brasileira de Comunicação com um salário de R$ 10.700,00.

A agressão a Karol foi o prato do dia, ontem, nas redes sociais. Esquerda e direita uniram-se para condenar a agressão e se solidarizar com ela. Bolsonaro preferiu calar – logo ele, um boquirroto, elogiado assim recentemente por Karol no Youtube:

– Ele foi a única pessoa que defendeu minha história. Eu tentava contar e ninguém me ouvia. Eu me sentia suja, me sentia errada. Eu era culpada daquilo e era do demônio. Ele [Bolsonaro] pode ser o Shrek, aquele ogro que o Brasil precisa.

Provocado por jornalistas, o porta-voz da presidência da República limitou-se a declarar em nome de Bolsonaro:

– O presidente rechaça qualquer tipo de violência. É nesse caminho, nessa toada de sensibilidade social e pessoal, que ele se coloca contra esse desqualificado ataque a essa cidadã.

A quantidade de denúncias de violência contra a população LGBT vem caindo ano após ano desde 2015. Mas isso se deve mais à subnotificação das ocorrências. Não significa necessariamente uma redução nos índices de violência, segundo o governo.

Este ano, de janeiro a junho, foram registradas 513 denúncias, uma média de quase três por dia. 76,8% delas foram por discriminação. Os relatos de violência psicológica (58,28%) ficaram em segundo lugar. Os de violência física (21,25%), em terceiro.

A maior parte (42,7%) das vítimas era gay. Outros 13,05% eram transexuais, enquanto 12,61% das vítimas eram lésbicas e 3,1%, bissexuais. A faixa etária mais atingida pelo preconceito é a de 18 a 24 anos.

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