HUMOR NEGRO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS


Jair Bolsonaro
 demora a aprender a diferença entre jornalismo e entretenimento. Na sua penúltima encenação com a imprensa, o presidente converteu a área defronte da entrada do Alvorada num picadeiro.

Ele se apresentou aos repórteres ao lado de um humorista fantasiado de presidente. Terceirizou ao comediante a tarefa de responder às indagações sobre o resultado pífio do PIB.

Depois, irritou-se com as notícias que informaram que o chefe da nação tratou um flagelo econômico como piada. Eis o que disse Bolsonaro aos repórteres:

“Quando vocês aprenderem a fazer jornalismo, eu converso com vocês. Se vocês sofrem ataque todo dia, o que vocês estão fazendo aqui? O espaço é público, mas o que vocês estão fazendo aqui? O dia que vocês se conscientizarem de que vocês são importantes fazendo matérias verdadeiras, o Brasil muda”.

Alguém poderia ter respondido: “Os repórteres comparecem aos portões do Alvorada porque há no trono um presidente sui generis. Quando esse presidente aprender a presidir, os jornalistas não precisarão mais dar as caras no picadeiro. Comparecerão a entrevistas organizadas, no auditório do Planalto. No dia em que um Bolsonaro improvável se conscientizar da importância de prestar contas educadamente das ações do seu governo, o Brasil muda.”

Hoje, o que há no Planalto é um presidente que trata repórteres na base do pontapé sem se dar conta de que ofende não a imprensa, mas a liturgia do cargo que ocupa. Um presidente não é apenas uma pose. É preciso que por trás da faixa presidencial exista uma noção qualquer de responsabilidade.

Como não consegue presidir adequadamente, Bolsonaro parece tentar a sorte em outra carreira, a de humorista. O problema é que, quando um presidente piadista faz troça com um 1,1%, pibinho de piada sobre coisa séria, o humor adquire vida própria, escapa do controle dos profissionais, e se torna negro.

HUMOR NEGRO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS
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