Inimigo número 1 dos brasileiros – MIRIAN GOLDENBERG, FOLHA

Inimigo número 1 dos brasileiros
Será que quem apoia e se identifica com sádicos genocidas sente culpa por ser cúmplice de uma guerra de extermínio?

Na semana passada, um debate no UOL, mediado por Leonardo Sakamoto, me deixou em pânico e desespero. Apesar de estar acompanhando obsessivamente a tragédia brasileira desde o primeiro dia, ouvir Miguel Nicolelis dizer, com todas as letras, que estamos vivendo uma “guerra de extermínio” foi como um soco no estômago.

O neurocientista mostrou que estamos em uma guerra que está sendo perdida pela total falta de controle e de gestão da pandemia. O país está sitiado, cercado por um inimigo letal, atingindo recorde de perdas de vidas de profissionais de saúde e de mulheres grávidas. Ele denunciou o aumento assustador de casos de crianças que estão internadas e morrendo de Covid-19.

Para Nicolelis, a qualquer momento iremos atingir 3.000 mortes e 100 mil casos por dia. Podemos chegar a 500 mil mortes ou mais até o fim do ano. Os brasileiros estão sendo exterminados. É um genocídio, não tem outro nome.

O Brasil é hoje o epicentro da tragédia mundial. O mundo inteiro olha para o país como o maior risco do planeta. Essa catástrofe pode se tornar não somente a maior tragédia humanitária do Brasil, mas “a maior tragédia sanitária mundial do século 21”. O Brasil se transformou “no inimigo número um do planeta”.

“Outras variantes podem estar surgindo agora, e não sabemos da existência delas ainda. Com 80, 100 mil casos diários, o vírus produz mais mutações. E com mais mutações, aumenta a chance de as variantes serem mais letais.”

Em diferentes países do mundo “o serviço sanitário está indo atrás dos brasileiros como se fossem leprosos”. Os brasileiros “estão sendo caçados como se fossem terroristas sanitários”.
A mídia internacional tem destacado as “decisões imbecis” que tornaram o Brasil o líder mundial em mortes diárias, uma “colônia de leprosos”, uma ameaça letal e “um perigoso espalhador” do Covid no mundo.

As fronteiras e os aeroportos estão se fechando para se proteger do inimigo número um do mundo. Ninguém mais vai querer vir ao Brasil, a turismo ou negócios. Nenhum país vai permitir que os brasileiros, ou os produtos brasileiros, entrem lá. Somos o maior pária do planeta. E os culpados pelas “decisões imbecis” exibem com orgulho esse título macabro.

Para o neurocientista, o futuro do Brasil depende da sociedade brasileira se unir contra o inimigo comum. Só teremos alguma chance de ganhar a guerra com a união de todos em prol de um projeto de salvação nacional.

No entanto, a sociedade brasileira está desunida, dividida e polarizada. O ódio, a ignorância e a intolerância destruíram famílias, amizades e amores. E os nossos inimigos estão vencendo uma batalha sangrenta, destruindo o país e exterminando os brasileiros.

Nicolelis postou no Twitter: “Além de ser o maior laboratório a céu aberto de proliferação do Sars-CoV-2, o Brasil se transformou no maior cemitério de vítimas de Covid-19 em todo mundo! Até quando vamos tolerar este genocídio?”.

“Até quando vamos aceitar calados a transformação do Brasil num enorme cemitério?”

Tenho vontade de perguntar aos fanáticos que apoiam e se identificam com os sociopatas genocidas:

De que lado você está na guerra que está exterminando os brasileiros e destruindo o país? Do lado de monstros desumanos que dão gargalhadas ao provocar milhares de mortes diárias? De criminosos perversos que sabotam a vacinação e todas as recomendações da ciência, que debocham do uso de máscara e provocam aglomerações? De mentirosos covardes que disseminam discursos de ódio sobre a “gripezinha, doença só de velhinhos e de maricas cheios de frescura e mimimi”? De sádicos “imbrocháveis” que gozam com a dor e sofrimento de milhões de brasileiros?

Inimigo número 1 dos brasileiros – MIRIAN GOLDENBERG, FOLHA
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