JANAINA PASCHOAL DEFENDE RENÚNCIA DE BOLSONARO – O GLOBO, RJ, 16,30 HS.

Janaina Paschoal defende renúncia de Bolsonaro: ‘Ele está brincando? Acha que pode tudo?’

Janaina Paschoal no julgamento do impeachment de Dilma Rousseff em 2016; ela foi eleita deputada estadual em SP com votação recorde Foto: Pedro França / Agência Senado
Janaina Paschoal no julgamento do impeachment de Dilma Rousseff em 2016; ela foi eleita deputada estadual em SP com votação recorde Foto: Pedro França / Agência Senado

SÃO PAULO — Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) defendeu nesta segunda-feira a renúncia do presidente Jair Bolsonaro. Em discurso no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ela afirmou que Bolsonaro cometeu crime contra a saúde pública ao endossar as manifestações do último domingo em meio ao surto do novo coronavírus. A doença já deixou 7 mil mortos no mundo todo.

Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto no domingo para cumprimentar e tirar selfies com apoiadores que se manifestavam na capital federal. O presidente passou o dia compartilhando vídeos de atos contra o Congresso Nacional e em favor do governo, ocorridos por todo o Brasil. No dia 7 de março, antes de embarcar para os Estados Unidos, chamou o povo para ir às ruas, embora tenha negado o fato dias depois.

— O que o presidente da República fez ontem é inadmissível, injustificável, indefensável. É crime contra a saúde pública. Desrespeitou o seu ministro da Saúde. Esse senhor tem que sair da presidência da República. Deixa o Mourão, que é treinado para a defesa, conduzir a nação. O nosso país está entrando numa guerra contra um inimigo invisível — declarou ela.

A parlamentar afirmou que as autoridades públicas precisam se unir e pedir o afastamento de Jair Bolsonaro. Para ela, “nós não temos tempo para um processo de impeachment”.

— Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão? Como um homem que faz uma live na quinta, e diz para não ter protestos, vai participar desses mesmos protestos e manda as deputadas, que são paus mandados dele, chamar o povo para a rua? Eu me arrependi do meu voto. Como é que esse homem vai lá potencialmente contaminando as pessoas? Pegando na mão, beijando. Ele está brincando? Ele acha que ele pode tudo? — disse.

Para Janaina, as autoridades públicas não estão combatendo a pandemia com a seriedade que o assunto requer. Ela afirmou que o governo tem o poder e o dever de tomar providências para “evitar um resultado danoso”. Ela criticou também o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por manter agenda de inaugurações e eventos. Para a deputada, o tucano precisa ser afastado em caso de um eventual “colapso no sistema de saúde”.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, repercutiu em sua conta no Twitter o discurso de Janaina. Eduardo disse que a parlamentar “tem todo o direito de se arrepender” do próprio voto, mas que “a vontade do povo é (e continuará sendo) soberana”, mencionando os 57,7 milhões de pessoas que elegeram seu pai.

“Amada Janaina, são 57.796.986 de brasileiros que votaram contra o sistema e a favor de Jair Bolsonaro. A senhora tem todo o direito de se arrepender, não a criticarei por isso. Mas nunca se esqueça: a vontade do povo é (e continuará sendo) soberana”, escreveu Eduardo.

MEU COMENTÁRIO:

Sobre essa questão de arrependimento de ter votado no capitão, tenho algumas considerações.

Entendo e aceito que em 2018, desconhecendo boa parte do que viria, a intromissão dos filhos, sobretudo do psicótico Carlos (vejam carta de Gustavo Bebianno publicada no blog de hoje), e a influência do pseudo filosófo da Virginia, os eleitores tenham votado contra o PT independentemente da consequencias.


Deu no que deu e hoje está aí o que sobrou.

O que não entendo nem aceito é que, hoje, cientes de tudo, conhecendo o passado tenebroso do capitão, a perniciosidade de seus filhos, e o absurdo de submeter-se ao mago nas nomeações, essas pessoas insistam em apoiar Jair Messias Bolsonaro.

Naquela ocasião havia a atenuante da ignorância e da falta de opção. Hoje não. Hoje, sabendo de tudo e continuar aplaudindo, tornou-se agravante.

Com ou sem coronavírus.

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