KÁSSIO EXPÕE SENADO AO RISCO DE DESMORALIZAÇÃO – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS NO UOL

Ao votar a indicação de Kássio Marques, os 81 senadores não decidirão apenas se o escolhido de Jair Bolsonaro tem condições de ocupar uma poltrona no Supremo Tribunal Federal. Se Bolsonaro mantiver a indicação, os senadores emitirão um juízo de valor sobre o próprio Senado Federal. O risco de autodesmoralização é grande, muito grande, enorme. Não bastasse a aparência de acordo antirrepublicano que envolve a seleção do substituto de Celso de Mello, surgiram as inconsistências curriculares do desembargador.

O doutor Kássio anotou no currículo que é “pós-doutor” em Direito Constitucional pela Universidade de Messina, na Itália. A escola italiana esclarece que o candidato à toga assistiu a um ciclo de palestras. Nada a ver com um pós-doutorado. Kássio escreveu que dispõe de “postgrado” obtido na Universidade de La Coruña, na Espanha. A escola espanhola informa que ele não fez senão um curso de extensão de quatro ou cinco dias.

Como se tudo isso fosse pouco, a revista Crusoé informa que a dissertação de mestrado que o desembargador apresentou à Universidade Autônoma de Lisboa tem cheiro de plágio. Traz trechos copiados de textos de um advogado chamado Saul Tourinho Leal. Reproduziu-se até um erro de português do texto original. Não há dúvida quanto à cópia. Falta verificar se o caso é de plágio ou de terceirização da elaboração da tese do suposto “mestre”, o que se caracterizaria como falsidade ideológica.

A essa altura, criticar Jair Bolsonaro pela escolha tornou-se algo inútil. Os objetivos do presidente já estão claros. Ele esclareceu em transmissão ao vivo que, embora dispusesse de uns dez bons currículos, preferiu selecionar alguém que “já tomou muita tubaína” com ele.

O currículo-tubaína do indicado revela-se uma peça que coloca em dúvida a ilibada reputação do seu autor, requisito constitucional para a ascensão ao Supremo. A imagem do Senado já está no buraco. Ao votar a indicação de Kássio Marques, os senadores decidirão se querem sair da cova ou se preferem jogar terra em cima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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