Longa manus de Bolsonaro, Ramagem era elogiado pela oposição – EVANDRO EBOLI, VEJA.COM

Quando foi sabatinado no Senado para assumir a Abin, delegado teve apoio do PT, da vice de Ciro e elogio aecista

Por Evandro Éboli – 4 maio 2020, 08h32

Alexandre Ramagem durante sabatina no Senado, em junho de 2019// Senado/Divulgação

Alexandre Ramagem foi aprovado com folga no Senado, em junho de 2019, quando passou por sabatina para ser nomeado diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Foram 14 a 0 na Comissão de Relações Exteriores e 64 a 3 no plenário da Casa.

Pivô do escândalo de interferência na Polícia Federal que levou Sergio Moro a romper com Jair Bolsonaro e deixar o governo, Ramagem, o amigão de Carluxo, passou pelo Senado com votos e apoio da oposição, além de um relatório muito elogioso de um senador que está longe de ser bolsonarista de carteirinha: o discreto Antônio Anastasia (PSD-MG), aliado de Aécio Neves.

O senador mineiro rasgou elogios, cumprimentou Bolsonaro pela indicação e chamou Ramagem de “pessoa de alta qualificação”, com experiências técnica, acadêmica e administrativa. “Será um grande diretor-geral da Abin, para felicidade da Nação”, encerrou Anastasia.

O petista Jaques Wagner (BA) também votou a favor de Ramagem na comissão. “Quem ganhou a eleição tem o direito de montar sua equipe”, disse Wagner, advertindo, no entanto, que esperava que a Abin sob o comando de Ramagem não fizesse papel de SNI – órgão bisbilhoteiro da ditadura – e atuasse sem perseguição político-partidária.

Katia Abreu (PP-TO), que foi vice de Ciro Gomes em 2018, aprovou com louvor a indicação de Ramagem. “Com o padrinho que tem, seria presidente da República. Falo do general Heleno e do general Villas Boas. As opiniões deles para mim foram super importante”, explicou a senadora.

Também presente, Flavio Bolsonaro falou da importância da função de Ramagem, entre as quais “cuidar da segurança da família do presidente”. A sabatina de Ramagem ocorreu no dia que estourou um escândalo no governo: a prisão de um sargento da FAB com 39 quilos de cocaína na Espanha.

Flávio disse ser competência do novo diretor evitar esse tipo de coisa. E, no melhor estilo Bolsonaro, disparou: “Bandido bom é bandido deitado”.

Alexandre Ramagem não foi brilhante na sua sabatina. Falou pouco, orientado pelo presidente da comissão, o aliado Nelsinho Trad: “Seja sucinto”. Fez o feijão com arroz. Garantiu ter qualificação para o cargo e prometeu uma Abin republicana. Foi suficiente à época.

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