Lula fatiou a Petrobras, Bolsonaro distribui nacos do MEC a aliados – ELIANE CANTANHEDE, ESTADÃO

Assim como os evangélicos emplacaram os dois pastores, o Centrão caprichou nas suas escolhas para o Ministério da Educação

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2022 | 03h00

A cada dia fica mais fácil, graças ao Estadão, entender o que vem acontecendo no Ministério da Educação há três anos e meio, desde a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República: ele, que acusa o adversário Lula de ter fatiado a Petrobras entre seus aliados, e com razão, fatiou o MEC entre os dele. Isso não sai de graça.

Está explicado por que Bolsonaro nomeou tantos incompetentes para ministro da Educação: Vélez Rodríguez não entendia nada de políticas públicas e mal falava português, Abraham Weintraub nem sabia o que acontecia no MEC, ocupado com sua guerra ideológica, Carlos Decotelli foi descartado pelo currículo tipo queijo suíço e, no fim, chegamos ao pastor Milton Ribeiro, que só abre a boca para falar besteira.

Tanto fazia se o ministro seria A ou B, o que importava era usar um dos três maiores orçamentos da República (mesmo depois do corte brutal definido pelo governo) para agradar à base política do presidente, ou melhor, do candidato à reeleição: os partidos do Centrão e os evangélicos, entre outros.

Primeiro, o Estadão revelou que havia um gabinete oculto, ou do culto, negociando liberação de verbas para prefeituras à custa de propinas em dinheiro, quilo de ouro, venda de bíblias… Quem cuidava disso? Os pastores Gilmar e Arilton, impostos ao MEC por Bolsonaro, segundo Milton Ribeiro, e frequentadores do Planalto, jatinhos da FAB, reuniões de cúpula no ministério e de acertos com prefeitos.

Agora, os repórteres André Shalders, Breno Pires e Julia Affonso mostrando, e comprovando, que o pregão para compra de ônibus escolares, nesta terça-feira, 5/4, embutia grande risco de superfaturamento, com preços até 55% acima do recomendado pela própria área técnica da pasta. Com a imprensa e o MP, ficou mais difícil.

Assim como os evangélicos emplacaram os dois pastores, o Centrão caprichou nas suas escolhas para o MEC: o diretor responsável pelo processo, Garigham Amarante, era da liderança do PL na Câmara e o presidente do FNDE, que paga a conta, é Marcelo Ponte, que era funcionário do PP.

O PL é o novo partido de Bolsonaro, comandado por Valdemar Costa Neto, o do mensalão e do petrolão. O PP é a sigla de Ciro Nogueira, da Casa Civil, e Arthur Lira, presidente da Câmara. Ponte, aliás, trabalhava no gabinete de Nogueira na Câmara.

O que PL, PP, Arthur Lira e Ciro Nogueira têm a ver com educação, FNDE, ônibus escolar? E o que a bancada evangélica e os tais pastores, com MEC, prefeituras e verbas públicas?

Ah! O que Lula e os militares dizem da Petrobras sob Bolsonaro e Carlos Suarez?

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