MAIS QUARTÉIS, MENOS ESCOLAS – JOSIAS DE SOUZA, BLOG NO UOL

Num país como o Brasil, sem guerras e com um sistema educacional em frangalhos, não faz sentido que o governo reserve mais dinheiro no Orçamento de 2021 para os quarteis do que para as escolas. Mas a novidade não chega a surpreender. Governar é eleger prioridades. E Jair Bolsonaro vem priorizando o Ministério da Defesa desde o início do governo. A coisa começou a ficar clara na reforma da Previdência.

Para os militares, não houve propriamente uma reforma previdenciária. Aprovou-se, na verdade, um plano de carreira, com elevação salarial. No mês passado, dados divulgados pelo Tesouro mostraram que um militar aposentado custa, em média, 17 vezes mais do que um aposentado da iniciativa privada. E isso vai continuar, porque o governo preservou todas as regalias da farda —da paridade que equipara os salários de militares da ativa e de pijama à integralidade que assegura aos militares o privilégio de se aposentar com vencimentos integrais.

Em grande medida, o Orçamento do ministério da Defesa para 2021 foi vitaminado em 48,8%, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108 bilhões, para bancar o aumento da folha.

Os mimos de Bolsonaro para os militares incluíram uma injeção de R$ 8 bilhões numa estatal da Marinha, a Emgepron. O governo não privatizou nenhuma estatal. Mas criou uma nova estatal militar, a NAV Brasil, que pode pendurar na folha do Estado mais de 13 mil funcionários.

Diante de uma conjuntura assim, é desalentadora a constatação de que o Ministério da Defesa terá R$ 5,8 bilhões a mais do que a pasta da Educação, cujo orçamento para o próximo ano ficaria ligeiramente menor do que o de 2020, passando de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões.

Sob Bolsonaro, o gênio dos militares saiu da garrafa. Tirar gênio de garrafa é fácil. Difícil é obrigar o gênio a entrar de volta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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