MANÉ JÁ REMENDOU CHUTEIRA COM ARAME – LUÍS CURRO – FOLHA DE SP

Jogador que já remendou chuteira com arame é eleito o melhor da África

“Eu não parecia um jogador de futebol. Eu estava usando calças que em nada se assemelhavam a calções de treino. E minhas chuteiras estavam completamente despedaçadas nas laterais. Do jeito que pude, eu as remendei com arame.”

Dessa forma, em entrevista à revista France Football republicada pelo jornal inglês The Mirror em junho, Sadio Mané recordou o dia em que, aos 15 anos, compareceu, fugido de sua casa em uma vila no sul do Senegal, a uma peneira em Dacar, a capital do país, distante 400 km.

“Não fui tão mal, e me selecionaram. Ali começou minha aventura”, declarou humildemente o atacante, que hoje está com 27 anos e defende o poderoso Liverpool, sobre o bem-sucedido teste no Génération Foot.

A aventura de Mané – e quando cito seu nome é impossível não lembrar do saudoso Mané Garrincha (1933-1983), bicampeão nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, que também amargou a falta antes da fama – teve um de seus ápices nesta terça (7), quando foi eleito o melhor jogador africano de 2019.

O prêmio é concedido desde 1992 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), em votação de treinadores e capitães das seleções continentais, e foi apenas a terceira vez que um senegalês o conquistou.

Em 2001 e 2002, El Hadji Diouf, astro do Senegal na Copa do Mundo da Coreia/Japão – quando a equipe superou a então campeã mundial França e avançou até as quartas de final – faturou o troféu.

Mané, que tinha Diouf e Ronaldinho Gaúcho como ídolos, conseguiu seguir carreira no esporte que ama desde a infância mesmo contrariando a vontade dos pais, que desejavam que ele fosse professor.

Aprovado na peneira em Dacar, ele destacou-se no clube, e olheiros franceses o levaram para o Metz em 2011. Só quando estava na França telefonou para sua mãe, a fim de avisá-la de seu paradeiro e de que seu sonho de atuar na Europa tinha se tornado realidade.

A ascensão de Mané, que culminou em sua contratação pelo Liverpool, teve no roteiro a disputa da Olimpíada de Londres, em 2012, e atuações de destaque no Salzburg, da Áustria (2012-2014), e no Southampton, da Inglaterra (2014-2016).

Em 2019, Mané foi coartilheiro do Campeonato Inglês, com 22 gols (o Liverpool terminou como vice-campeão), ao lado do egípcio Mohamed Salah, seu colega de time, e do gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, do Arsenal.

Sagrou-se também campeão da Champions League, do Mundial de Clubes da Fifa e fez três gols na campanha em que o Senegal ficou com o vice-campeonato na Copa Africana de Nações.

Para ganhar pela primeira vez o prêmio de melhor futebolista africano, Mané obteve 477 pontos, superando Salah (325), vencedor em 2017 e em 2018, e o argentino Riyad Mahrez (267), do Manchester City, eleito em 2016.

“O futebol é meu trabalho, e eu o amo. Estou realmente feliz e orgulhoso de ganhar este prêmio”, afirmou ele na festa de gala da confederação africana, em Hurghada, no Egito.

MANÉ JÁ REMENDOU CHUTEIRA COM ARAME – LUÍS CURRO – FOLHA DE SP
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