MESSI DECEPCIONA EM NÁPOLES – JUCA KFOURI – FOLHA

O gênio argentino, sozinho, não jogou nada parecido com Diego Maradona

Trinta anos depois de Diego Maradona reinar no estádio San Paolo, havia a expectativa de outro argentino brilhar no gramado napolitano.

Lionel Messi parecia saber que a primeira apresentação dele no palco em que o compatriota é venerado tinha de ser à altura das divindades do futebol.

Por mais que não tenha mais nem Xavi, nem Iniesta ou Neymar ao seu lado, apesar de até Luis Suárez estar fora de combate, Messi precisava ser Messi.

Não foi!

Difícil saber até que ponto as declarações do antecessor influenciaram no desempenho decepcionante.
Horas antes do Barcelona enfrentar o Napoli, Don Diego declarou a torcida pelo time italiano e o desejo por atuação fraca do sucessor.

Messi fez questão de atendê-lo…

Messi tenta finalização em partida contra o Napoli, mas é parado pelo goleiro, em jogo pelas oitavas da Champions
Messi tenta finalização em partida contra o Napoli, mas é parado pelo goleiro, em jogo pelas oitavas da Champions – Alberto Lingria – 25.fev.20/Xinhua

Por mais que tentasse, parou na forte marcação napolitana e na falta de quem pudesse dialogar com ele, ao capitanear uma equipe apenas esforçada, com claros problemas nas duas laterais, embora seu gol tenha nascido de passe de Semedo, e meio de campo pouco criativo.

empate em 1 a 1 até soou como uma bênção, por encaminhar a classificação para as quartas de final.
O Barcelona não parece candidato ao título da Liga dos Campeões desta vez.

Ao contrário do Bayern de Munique.

O time alemão volta a impressionar.

Jogou em Londres contra o Chelsea como se estivesse em casa. Fez 3 a 0 e poderia ter feito mais, com Lewandowski não se limitando a fazer gols –marcou apenas um, o 11º na Champions do artilheiro do torneio, contra dez do fenômeno norueguês Haaland, mas deu os dois passes para o companheiro Gnabry abrir o marcador e ampliar. Pena que o polonês tenha se machucado e vá ficar um mês fora de combate.

Incrível a sede dos bávaros, líderes do Campeonato Alemão, o mais disputado na atualidade, com cinco candidatos ao título separados do primeiro ao quinto lugar por apenas seis pontos.

Nem com a vantagem de 2 a 0, obtida a duras penas nos oito primeiros minutos do segundo tempo, o esquadrão germânico se deu por satisfeito.

É candidatíssimo ao título de hexacampeão europeu.

Como, em tese, são candidatos o Real Madrid e o Manchester City que resolveram jogar xadrez na capital espanhola ao fazerem primeiro tempo que Tostão e PVC devem ter adorado, um jogo mais cerebral que com os pés, taticamente brilhante, mas de pouca emoção.

Pés brasileiros, diga-se, porque Gabriel Jesus, em ótima atuação, teve duas chances para abrir o placar e Vinicius Júnior outra.

Grande defesa de Courtois e Casemiro, na linha fatal, impediram os gols do ex-palmeirense, e chegar atrasado ao rebote de milagre de Ederson não permitiu o gol do ex-rubro-negro.

A marcação alta madridista fazia de Ederson o melhor lançador do City e, depois de três defesas de Courtois em oportunidades perdidas por Mahrez, no começo do segundo tempo, Rodri errou passe na intermediária e Vinicius Júnior deu o 1 a 0 para Isco.

Em jogos assim, errar é dar o xeque-mate ao rival.

Só que o xadrez virou correria eletrizante a partir do gol, e De Bruyne fez jogada maravilhosa para servir a cabeça de Jesus e o brasileiro empatar, ao superar o capitão Sergio Ramos.

Minutos depois o belga converteu pênalti e virou o jogo em que reinou no Santiago Bernabéu.

Jesus ainda causou a expulsão de Ramos.

O título inédito do City segue no radar.

Juca Kfouri

Jornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP.

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