MOURÃO TORNOU-SE PARTE DO PROBLEMA AMBIENTAL – JOSIAS DE SOUZA, BLOG DO JOSIAS


O vice-presidente Hamilton Mourão falou sobre meio ambiente em dois eventos nesta quinta-feira (27). Num, admitiu que o acordo do Mercosul com a União Europeia “parece que começou a fazer água”. Jogou a crise econômica da Argentina no ventilador. Noutro, repetiu que o Brasil recebe tratamento preconceituoso e que não é vilão ambiental. Os comentários mostram que Mourão, acomodado no comando do Conselho da Amazônia como solução, tornou-se parte do problema ambiental.

Assinado no ano passado, após duas décadas de negociações, o acordo de livre comércio com a União Europeia depende de ratificação dos países. Na semana passada, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, mandou uma porta-voz dizer que tem sérias dúvidas sobre os negócios com o Mercosul por causa do aumento do desmatamento da Amazônia. Mourão declarou que a imprensa criou um ruído inexistente com Merkel.

Além da Alemanha, outros países torcem o nariz: Áustria, Irlanda, França e Holanda, por exemplo. O Brasil oferece farto material para que os líderes dessas nações exercitem seu oportunismo e protecionismo. Os dados sobre o crescimento do desmatamento e das queimadas na Amazônia são conhecidos. Coletados por satélites, estão disponíveis nas redes.

O mundo está bem informado sobre o Brasil. Tomou conhecimento inclusive das declarações do ministro Ricardo Salles, que sugeriu em reunião ministerial aproveitar a pandemia para “passar a boiada” por cima dos regulamentos ambientais. O eventual naufrágio do acordo comercial com a União Europeia produzirá prejuízos num instante em que a economia brasileira precisa de estímulos.

Ao reagir à água que entra na embarcação com saliva, Mourão revela-se um náufrago rudimentar —do tipo que se agarra num jacaré imaginando que é um tronco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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