O BRASIL VISTO DE FORA: ‘Washington Post’ diz que Brasil ignorou alertas sobre Covid-19 – VEJA.COM

Segundo o jornal americano,”Bolsonaro, que continua a rejeitar a doença e suas vítimas, optou por uma política de não fazer nada”

Por Da Redação – Atualizado em 17 Jun 2020, 14h24 – Publicado em 17 Jun 2020, 14h17

WP ressaltou demissões de ministros e reabertura do comércio Andressa Anholete/Getty Images

O Brasil segue sendo destaque negativo nas principais publicações internacionais. O diário americano Washington Post fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro e aos governadores estaduais no combate à pandemia de coronavírus em um artigo publicado na última terça-feira 16, intitulado: “O Brasil ignorou os alertas. Agora, enquanto outros países se preocupam com uma segunda onda, ele não consegue superar a primeira”.

A reportagem destaca que, apesar da evidente expansão do vírus – é o segundo pais com mais mortes e infecções, atrás apenas dos Estados Unidos –, o Brasil jamais conseguiu organizar um plano unificado de combate à Covid-19. O fato de grandes capitais estarem reabrindo seu comércio justamente no momento de alta de infecções também chamou a atenção do WP.

“O que está acontecendo parece ser globalmente único. Apesar dos números crescentes, as autoridades não implementaram medidas amplamente bem-sucedidas em outras partes do mundo. Não houve um bloqueio nacional. Nenhuma campanha nacional de testes. Nenhum plano acordado. A expansão dos cuidados de saúde foi insuficiente. Em vez disso, as cidades mais atingidas estão abrindo as portas para shoppings e igrejas, mesmo quando o país costuma registrar mais de 30.000 novos casos por dia – cinco vezes mais do que a Itália relatou no auge de seu surto”,  diz um dos trechos.

O diário cita uma pesquisa da Universidade de Washington que diz que o Brasil pode registrar mais de 4.000 mortes por dia e ultrapassar os números totais dos Estados Unidos até o final de julho, se mantiver o ritmo atual. A reportagem faz diversas comparações entre os países e considera que apesar das “semelhanças entre EUA e Brasil, dois países do tamanho de continentes com extrema desigualdade e presidentes populistas” a pandemia está “revelando o abismo entre eles”, no que diz respeito a economia, sistema de saúde e controle e prevenção e doenças.

As medidas de Bolsonaro no combate à pandemia também foram bastante confrontadas pela reportagem. “Jair Bolsonaro, que continua a rejeitar a doença e suas vítimas, optou por uma política de não fazer nada. Atacou governadores que defendiam medidas restritivas como mentirosos corruptos, se juntou a uma multidão de simpatizantes, desafiando as advertências de seus conselheiros e ameaçou fazer um grande churrasco, apesar das recomendações de saúde pública.”

Washington Post lembrou que Bolsonaro demitiu dois ministros da saúde em meio à pandemia e atualmente mantém “um militar que não é médico”, Eduardo Pazuello, no cargo. “Bolsonaro não capacitou especialistas em saúde e cientistas para liderar uma resposta. Em vez disso, foram minados e ignorados, marginalizados e expulsos.”

Por fim, o diário destaca que “grande parte da população, por causa da pobreza ou da apatia, está vivendo suas vidas em grande parte como antes – indo às praias, participando de festas e outros encontros, andando de ônibus lotados” e diz, tentando enxergar algum otimismo na situação, que o Brasil pode ser a primeira nação a testar a chamada imunidade de rebanho – um conceito que defende que quanto maior o número de infectados, mais pessoas se tornariam resistente ao vírus, devido à memória imunológica adquirida; assim, chegaria um momento em que a doença pararia de se disseminar.

Theo Vos, professor de ciências da saúde da Universidade de Washington, cujos modelos são usados ​​pela Casa Branca, diz que a hipótese não tem comprovação científica no caso do coronavírus e que forçar uma imunidade de rebanho não é nada recomendável. “Pode ser que no Brasil você possa começar a atingir a saturação, onde tantas pessoas na população estão em contato com o vírus que ele começa a diminuir. Mas isso tem um preço enorme. É o tipo de situação que aconselhamos os governos a tentarem evitar.”

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