O DOLEIRO DOS DOLEIROS E OS FILHOS DE JANUÁRIO – RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

Nitroglicerina pura

Messer, preso pela PF em apartamento de luxo de São Paulo: em silêncio  (Reprodução/./VEJA)

Caso se confirme que Dario Messer, o doleiro dos doleiros, preso recentemente pela Polícia Federal em São Paulo, pagou propinas mensais ao procurador da República Januário Paludo em troca de proteção, a Lava Jato do Paraná terá sofrido o mais duro golpe em sua credibilidade. Difícil que se recupere.

Paludo não é apenas um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato naquele Estado. É o mais antigo desde sua criação em 2014. Sua ascendência sobre os colegas é de tal monta que eles criaram no aplicativo Telegram um grupo com o nome de “Filhos de Januário”. Ali tramavam os novos lances da Lava Jato, mas não só.

O site UOL teve acesso a um relatório da Polícia Federal datado de outubro do ano passado com mensagens trocadas por Messer com sua namorada, Myra Athayde. Na época, os dois estam soltos. Nelas, Messer diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Paludo. E acrescenta a certa altura:

“Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês.”

Os “meninos” eram outros doleiros que trabalhavam para Messer. Presos pela Polícia Federal viraram delatores. O relatório foi encaminhado à Lava Jato do Rio e, por ela, à Procuradoria-Geral da República, em Brasília, a quem caberá definir o que fazer. Procurado pelo site, Paludo não quis falar a respeito.

Paludo é personagem de reportagens do site The Intercept sobre os bastidores da Lava Jato do Paraná. No dia 24 de janeiro de 2017, ao saber que Marisa Letícia, mulher de Lula, fora vítima de um acidente vascular cerebral e estava em um hospital, o procurador Deltan Dallagnol escreveu no grupo “Os Filhos de Januário”:

“Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”.

Ao que Paludo respondeu dez minutos depois, curto e grosso:

“Estão eliminando testemunhas”.

Dois anos mais tarde, a propósito do pedido da defesa de Lula para que ele pudesse ir ao enterro do seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, Paludo comentou no mesmo grupo de conversas:

“O safado só queria viajar”.

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