O eclipse do ministro da Saúde – RICARDO NOBLAT – VEJA.COM

Tudo que é sólido desmancha no ar

Por Ricardo Noblat – 

A intensidade da luz de um eclipse solar total pode danificar os olhos do observador. Igor Kovalchuk/Reprodução

Então fica combinado assim, conforme o próprio Luiz Henrique Mandetta, o enfraquecido ministro da Saúde, apressou-se a anunciar logo depois que o governador Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem deve o cargo, rompeu com o governo: ele fica onde está, sim, e tão cedo sairá. Agarrou-se à cadeira.

Sabe como é… Não disse, mas o que seria do país, em hora tão grave, se o governo perdesse uma de suas poucas vozes sensatas – ele mesmo? Se pedisse demissão, a equipe que montou no ministério possivelmente sairia também. É duvidoso, mas…

Desautorizado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, achou melhor engolir a seco e continuar à frente do mais duro combate travado por uma autoridade médica como ele nos últimos 100 anos. Não mais à frente, forçoso reconhecer. Meio de lado.

A ler-se ao pé da letra o que ele proclamou, nem se quiser sair, ele sairá. “Saio daqui na hora que acharem que eu não devo trabalhar, o presidente achar, porque ele que me chamou, ou se eu estiver doente”, avisou. Sairá, portanto, só demitido ou doente.

Quer dizer: por eventualmente divergir da orientação que possa receber de Bolsonaro, não sairá. Simplesmente obedecerá. Foi o que começou a fazer de imediato. Perguntado sobre a quarentena, respondeu que ela “foi precipitada e desarrumada”.

Ninguém no governo Bolsonaro é ministro. Está ministro. E Mandetta não tem a menor garantia de que estará ministro por muito tempo.  O apoio dos militares à sua permanência no cargo indicaria que, por enquanto, Mandetta é imexível. A ver.

MEU COMENTÁRIO:

Mandetta se igualou a Sergio Moro.

Ambos, humilhados e desautorizados pelo chefe, decidiram permanecer nos cargos, apesar da desmoralização.

Cairam muito em meu conceito, e suponho que no de muitos.

O interesse político individual falou mais alto.

Sergio Moro, depois da fenomenal cagada de ter trocado uma sólida carreira juridica como juiz consagrado, pela aventura inconsequente de ter acreditado num mito de arrabalde, se saisse, hoje, o que faria? Para onde iria?

Pôs o rabo entre as pernas e com a orelhas encolhidas, amuado como um cãozinho no canto da casa, perdeu relevância, pouco se fala dele.

Mandetta está no mesmo caminho. Como o articulista destacou, nesse governo Bolsonaro ninguém é ministro, todos estão ministros, enquanto a entourage do filho psicótico e do peseudofilosofo permitirem.

Tudo que Bolsonaro toca, se destrói, de uma forma, ou de outra.

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