O FLAMENGO VISTO DE FORA – O GLOBO, RJ

Como o título do Flamengo, que ‘desnudou’ o River, é contado na Argentina

Torcedora chora após derrota para o Flamengo em Lima Foto: Pilar Olivares/Reuters
Torcedora chora após derrota para o Flamengo em Lima Foto: Pilar Olivares/Reuters

Marcelo Gallardo classificou a derrota para o Flamengo na final da Libertadores como “a maneira mais triste de perder”. O enredo justifica a declaração do técnico do River Plate, já que o time levou a virada em um espaço de três minutos nos instantes finais da partida em Lima, no Peru. Mas o resultado, por si só, deixa a análise superficial. O olhar do lado brasileiro da final também pode enviesá-la. Por isso, vale a pena observar o diagnóstico dos argentinos para a apoteótica jornada de Libertadores.

O jornal “La Nación” abre uma discussão que remete à queda do Brasil na Copa 2018. Faltou fazer a chamada falta tática para frear o ímpeto derradeiro do Flamengo?

Mas a mera conjectura não dura muito. No mesmo texto, o autor aponta que o River perdeu intensidade nos instantes finais durante uma partida na qual foi “asfixiante”, sempre em superioridade numérica no ataque ao homem com a bola.

O jogo para pressionar e roubar a posse do Flamengo deu certo durante 88 minutos. O rubro-negro teve muitas dificuldades, mas terminou com mais fôlego que o adversário. E isso faz diferença nos confrontos 1 x 1 ou em contra-ataques, como aquele armado após o erro de Pratto no ataque. Não dá para ignorar – e os argentinos expressam isso – a ironia de ter no centroavante o papel de vilão na decisão de 2019. Em 2019, contra o Boca, em Madri, o “Urso”, como é apelidado, foi protagonista para o bem.

Ainda segundo o “La Nación”, o Flamengo desnudou o River Plate como ninguém jamais conseguira, dando um desfecho que parecia impossível à decisão.

A jogada que deu origem ao primeiro gol foi conduzida, na visão dos argentinos, por um Diego “inoxidável, genial no ocaso da carreira”. Veio o empate. Com a defesa argentina ainda tonta, Gabigol deu o golpe fatal.

O sentimento na Argentina é que o time copeiro e ganhador comandado por Gallardo sofreu a derrota mais dolorosa do ciclo. O descontrole de Palacios deu o tom de frustração do River nos instantes finais.

Na decisão da Libertadores, o time fechou os olhos por três minutos e quando abriu já era tarde demais.

O herói Gabigol, na visão do “Olé”, roubou as capas dos jornais para si em uma partida na qual, até então os 43 minutos do segundo tempo, nem merecia ser mencionado pelos diários. De tão pouco que tinha jogado. Mas o periódico entende que o River não perdeu o jogo no segundo gol, mas sim no 1 a 1.

A ferida acabou de ser aberta. Abre-se o debate sobre as substituições de Gallardo, colocando o próprio Pratto em vez de Scocco. Mas, no momento, a curiosidade dos argentinos passa por saber quais serão as sequelas da dolorosa queda em Lima para um River Plate tão vencedor.

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