O futuro político de Lula está nas mãos de Bolsonaro – VEJA.COM

A escolha da vaga de ministro do STF em novembro pode eliminar de vez o petista do mapa político — ou ressuscitá-lo e fulminar a Operação Lava-Jato

Por Laryssa Borges, Marcela Mattos – Atualizado em 11 set 2020, 10h15 – Publicado em 11 set 2020, 06h00

Jair Bolsonaro – Eraldo Peres/AP/.

Na segunda-feira, pouco depois das comemorações de 7 de Setembro, em um restaurante de Brasília, dois importantes auxiliares do presidente Jair Bolsonaro especulavam sobre um dos segredos mais bem guardados da República: o nome que será indicado para ocupar a próxima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). “Deve ser um evangélico. Mas, se eu tivesse que apostar, aposto que será o Jorge”, diz o primeiro auxiliar. O segundo discorda: “O Jorge? O Jorge é muito talentoso, mas o presidente precisa dele no gabinete, por perto, ajudando a organizar as coisas. O André parece mais preparado para esse cargo. E tem o Aras, né?”. “É verdade. Mas o Aras ainda está fazendo curso para evangélico”, ironizou o primeiro. O tema da conversa não é aleatório. Há muitos interesses e muitos interessados no perfil do futuro ministro, especialmente porque pode acabar nas mãos dele uma decisão capaz de provocar a maior reviravolta política dos últimos tempos.

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No início do ano que vem, tão logo o STF volte a funcionar de maneira presencial, a Segunda Turma vai julgar se o ex-juiz Sergio Moro atuou ou não com parcialidade ao condenar o ex-presidente Lula por corrupção na Operação Lava-Jato. Quatro votos são conhecidos no colegiado — dois, dos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, favoráveis a punir Moro por falta de isenção, e dois, de Edson Fachin e Cármen Lúcia, em favor do ex-juiz. O quinto ministro da turma é Celso de Mello, que se aposentará em novembro. Se esse cronograma for cumprido e não ocorrer nenhuma manobra de ocasião (nenhum pedido para mudança de turma dos atuais componentes da Corte), o voto de minerva será proferido pelo ministro que Bolsonaro indicar. Em outras palavras, o destino de Lula passa pela caneta de seu maior desafeto.

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