O MAL DO CIRCO – DORA KRAMER – BLOG EM VEJA.COM

Economia

Governo das mudanças terá de vencer obstáculos criados pelo governo dos conflitos

Para virar realidade, programa de Guedes vai precisar ultrapassar os obstáculos criados pelo Brasil do circo armado pelo presidente Jair Bolsonaro (Adriano Machado/Reuters)

Ambicioso, necessário, abrangente, o conjunto de medidas enviadas ontem ao Congresso reorganiza a distribuição de recursos entre os entes federativos, imprime flexibilidade ao manejo do Orçamento e restringe gastos públicos em momentos de aperto na economia. Enfim, diz respeito ao país real.

Excelente notícia não fosse o fato de que para virar realidade vai precisar ultrapassar os obstáculos criados diuturnamente pelo Brasil do circo armado pelo presidente Jair Bolsonaro e suas radicais e boçais companhias.

O governo atua em duas realidades distintas que uma hora podem entrar em choque, impedindo avanços como os contidos na boa ideia levada a termo pelo ministro Paulo Guedes. Agora seria o momento de termos um cenário político e institucional apaziguado, sob o comando de um presidente ainda no cumprimento do primeiro ano de mandato.Veja também

No lugar disso o que temos são conflitos de toda sorte. Perda de apoio (ainda não explícito, mas já implícito) nas Forças Armadas, declarações cada vez mais fortes do presidente da Câmara com o respaldo da Casa e do Judiciário nem há o que dizer diante daquele vídeo comparando o Supremo Tribunal Federal a uma alcateia de hienas.

Foi desnecessária a alfinetada em Rodrigo Maia na forma de escolha do Senado para o início da tramitação das medidas, mas isso ao longo do processo tende a se diluir. O Congresso sempre poderá atuar em linha direta com Paulo Guedes, como foi no caso da reforma da Previdência, mas enquanto isso a autoridade do presidente segue sendo erodida por iniciativa dele e dos seus.

Atos que testam os limites da democracia e da paciência da nação. A reformulação agora proposta precisa de habilidade e sensatez pois, embora benéfica, conflita com interesses e hábitos arraigados. Sua tramitação de fato vai se dar em ano eleitoral em que não estarão em jogo os mandatos dos congressistas, mas a reorganização do quadro de prefeitos e vereadores que formam a base primeira de sustentação a candidaturas dos pretendentes a se eleger em 2022. Jair e Eduardo aí incluídos.

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