O mau exemplo da Ilha da Fantasia – RICARDO NOBLAT, VEJA.COM

O reino do presidente não é deste mundo

Por Ricardo Noblat – 

Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde Nelson Teich Adriano Machado/Reuters

Nunca, como ontem, Brasília mereceu a zombaria de ser chamada de Ilha da Fantasia. Brasília, não, porque ela não responde pelos malfeitos dos seus habitantes.

De volta ao início: nunca, como ontem, o Palácio do Planalto, local de despacho do presidente da República, mereceu a zombaria de ser chamado de Ilha da Fantasia.

Qualquer cidadão confinado em casa para escapar ao coronavírus teria o direito de perguntar ao ver as imagens da cerimônia de posse do novo ministro da Saúde: em que país vive essa gente?

Sem máscaras, a não ser as da hipocrisia, sem obedecer às regras do distanciamento social que só parecem valer para os brasileiros comuns, mais de 50 autoridades se abraçaram e apertaram as mãos.

Ao fim da cerimônia, parte da assistência fez questão de cumprimentar o presidente Jair Bolsonaro, parabenizar o ministro empossado e despedir-se do ministro demitido.

Na véspera, Henrique Mandetta, que ensinou o país a como se comportar em tempos de epidemia, despediu-se dos funcionários do Ministério da Saúde aos beijos e abraços. Ensaiou passos de dança.

Bolsonaro foi o mais coerente de todos. Aliado do vírus, capaz de sacar o revólver se ouvir falar em quarentena, não negou afago a quem o procurou. Seu reino não é deste mundo.

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